Brasil e França tentarão quebrar gelo em reunião

Brasil e França tentarão quebrar gelo em reunião

Temor de perda de investimentos leva governo Bolsonaro a buscar reaproximação com os países europeus.

Após um ano marcado por uma relação conturbada entre os presidentes Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron, com insultos e bate-bocas que têm como platéia a comunidade internacional, Brasil e França tentarão uma reaproximação na terça-feira, em uma reunião virtual entre altos funcionários dos dois governos.

A conversa se insere dentro de um mecanismo de consulta bilateral realizado anualmente. Mas, desta vez, a videoconferência ocorrerá sob pressão do empresariado dos dois países, que está preocupado com os efeitos dessa animosidade sobre os investimentos, o intercâmbio comercial e o processo de ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia.

A última vez em que o comitê de consulta se reuniu foi em março de 2019, em Brasília. Foi antes da intensificação dos incêndios na Floresta Amazônica, que foram o estopim para as disputas entre Bolsonaro e Macron. Na época, a política ambiental brasileira já estava na berlinda, devido àexpansão do desmatamento. O líder francês chegou a chamar o presidente do Brasil de mentiroso, por ter-lhe prometido ser fiel ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, e disse que as queimadas eram um problema internacional.

PRESSíO DA INDÚSTRIA

Em outro momento, Bolsonaro fez um comentário em uma rede social, aumentando a visibilidade de um post insinuando que o presidente francês tinha invejado brasileiro por causa de sua mulher, Michelle Bolsonaro. Na publicação, havia fotos comparando a primeira-dama brasileira com a mulher de Macron, Brigitte. `Não humilha cara. KKKKKK`, escreveu Bolsonaro. Macron reagiu chamando o episódio de `triste, triste` e dizendo esperar que os brasileiros tivessem logo um presidente que se comportasse `à altura` do cargo.

Apesar dos percalços, o Brasil e os demais países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) conseguiram fechar um acordo de livre comércio com aUE no fim de 2019. Contudo, o governo da França, que sempre teve restrições a um tratado do gênero, devido ao forte peso dos agricultores no cenário político, avisou que não iria ratificar o texto. Só que os industriais franceses argumentam que o volume de investimentos no Brasil, de cerca de US$ 29 bilhões (R$ 159 bilhões), é maior do que a China recebeu da França (US$ 20 bilhões, ou R$ 106 bilhões).

Existem 800 empresas francesas em território brasileiro, que geram cerca de 500 mil empregos. Da parte do governo brasileiro, existe a percepção de que é preciso recuperar a economia após a pandemia de Covid-19. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o governo brasileiro também pretende procurar outros países europeus, além da França, que deram sinais de que não gostariam de aprovar o acordo com o Mercosul, devido à política ambiental brasileira. São exemplos Áustria e Irlanda.

Será exercida a chamada diplomacia parlamentar, uma vez que boa parte das restrições ao Brasil partem de congressistas da região. O mesmo se dá nos Estados Unidos. O encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Washington, Nestor Forster, decidiu enviar cartas a veículos de imprensa e parlamentares esclarecendo pontos que, segundo ele, são visões equivocadas sobre o Brasil.

Além de questões ambientais, Forster sai em defesa de Bolsonaro no que diz respeito aos direitos humanos, com destaque para as políticas e ações direcionadas a comunidades indígenas e quilombolas. Ainda na próxima semana, o governo brasileiro deve responder a questionamentos de investidores internacionais e fundos de pensão, que enviaram uma carta às embaixadas brasileiras pedindo explicações sobre temas relacionados a meio ambiente e grilagem de terras.

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