Brasil e Europa puxam aumento global de casos de Covid

Brasil e Europa puxam aumento global de casos de Covid

20:12 - País registrou 14% das novas infecções confirmadas na última semana epidemiológica da OMS, enquanto sua população representa apenas 2,8% da mundial

Brasil e Europa foram os responsáveis por puxar o aumento no número de casos de Covid-19 que elevou a média global na última semana. Apesar de representarem, somados, 12% da população mundial, Brasil e os países que compõem a região da Europa pela Organização Mundial de Saúde (OMS) concentraram 54% dos 2.658.823 novos casos de Covid em todo o globo.

Na última semana, o número de casos de Covid-19 subiu 7% depois de seis semanas completas em declínio. Na terça-feira, este aumento foi detalhado com a divulgação do boletim epidemiológico semanal da entidade, relativo à semana que se encerrou no dia 28 de fevereiro.

O Brasil, sozinho, registrou 14% das novas infecções confirmadas, quando sua população representa apenas 2,8% da mundial. Na semana anterior, o país acumulava 12.8% dos novos casos globais.

Há outros lugares onde o vírus avança mais rapidamente neste momento — situação, por exemplo, da Argentina, onde o número de casos subiu quase 50% em uma semana —, mas, em nenhum outro lugar, além de Brasil e de países europeus, o aumento percentual de infecções corresponde a uma alta tão vasta do número absoluto de casos.

Se não fosse pelo Brasil, por exemplo, a pandemia teria permanecido praticamente estagnada nas Américas na última semana epidemiológica: aumentando só 0,5%, pouco mais de 5 mil casos. Em função do Brasil, no entanto, o crescimento foi de 6% — houve um acréscimo de 62.939 casos nas Américas em comparação com a semana anterior, e, só no Brasil, o aumento foi de 57.733.

O crescimento no número de casos no Brasil aproxima o país dos Estados Unidos, que seguem sendo o país mais afetado do planeta, com 472.904 novos casos, ou 17,7% do total. O índice de novos casos, contudo, tem decrescido por lá. Se os ritmos dos dois países se mantiverem, o Brasil poderia ultrapssar os EUA em número absoluto de casos em duas semanas.

Ao comentar os resultados na segunda-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o aumento nos casos foi “decepcionante, mas não surpreendente”, e disse que outras medidas de combate ao vírus além da vacinação devem ser mantidas em vigor.

— Era muito cedo para os países dependerem apenas dos programas de vacinação e abandonarem outras medidas — afirmou. — Estamos trabalhando para entender melhor esses aumentos na transmissão. Mas parte disso parece ser devido ao relaxamento das medidas de saúde pública, à circulação contínua de variantes e às pessoas baixando a guarda. As vacinas ajudarão a salvar vidas, mas se os países dependerem apenas das vacinas, estarão cometendo um erro.

A OMS apresenta como possíveis razões para os aumentos globais, sem diferenciar por região, a “propagação contínua de mais variantes transmissíveis”, o “relaxamento de medidas sociais e de saúde pública” e a “fadiga em torno da adesão” a essas medidas. Para se contrapor a estas medidas, a organização recomenda que governos adotem métodos de “rastreamento de casos, isolamento, quarentena com suporte e cuidados de qualidade”. Para os indivíduos, a organização propõe “evitar multidões, distanciamento físico higiene das mãos, máscaras e ventilação”.

Caso europeu
A Europa registrou 40% das novas infecções globais segundo a OMS. Os 1.055.781 novos casos no continente corresponderam a um crescimento de 9%, e foram o primeiro aumento desde a semana que se encerrou em 10 de janeiro. Trinta e seis dos 61 países e territórios presentes na região “Europa” de classificação da OMS — que inclui, por exemplo, Israel, Kosovo e Gibraltar — registraram alta. Os piores foram a França, que teve 149.959 novos casos, e a Itália, com 112.029. Já a República Tcheca, com 82.321 novos casos, registrou o equivalente a 768 novos casos por 100 mil habitantes, um aumento de 26%.

Embora tenha concentrado o maior número absoluto de novos casos, a Europa não é a região onde o vírus se espalhou com mais velocidade. A OMS trabalha com seis macrorregiões: Américas, Europa, Sudeste Asiático, Mediterrâneo Oriental, África e Pacífico Ocidental. Destas, o Mediterrâneo Oriental —que inclui países do Oriente Médio e do Norte da África — teve o aumento percentual mais expressivo, de 14%. Apesar disso, este índice equivale a só 8% do total global. Os casos também subiram 9% no Sudeste Asiático, o equivalente a 6% do total mundial. Na África e no Pacífico houve queda.

A despeito do aumento de casos, o boletim da OMS registrou um declínio de 6% nas mortes. Isso pode acontecer porque os óbitos geralmente só acontecem algumas semanas após as infecções. Isso significa que ainda pode demorar um pouco para esse aumento global de infecções se traduzir em vítimas fatais.

Nesta quarta-feira, o Brasil bateu pelo segundo dia seguido o recorde de mortes na pandemia, com 1.840 óbitos. O país está com há mais de 30 dias registrando mais de mil mortes diárias.

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