Brasil e EUA negociam via rápida para comércio exterior

Brasil e EUA negociam via rápida para comércio exterior

Idéia é reduzir burocracia para entrada de produtos; chanceler vai a Washington

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, viaja a Washington esta semana para negociar, entre outras medidas, ações de facilitação de negócios entre Brasil e EUA.

O movimento é considerado um passo anterior à abertura formal das tratativas de um acordo comercial mais abrangente entre os dois países. A comitiva brasileira quer definir a data deuma visita de Donald Trump ao Brasil pai a anunciar oficialmente o início dessas negociações.

Araújo desembarca nesta quarta-feira (11) nos EUA e deve discutir com integrantes do governo americano medidas de simplificação de processos de importação e exportação, reduzindo buro era ciase custos no trânsito de produtos. Entre as propostas estáacríação de um sistema que facilitaria a entrada de mercadorias de empresas pré- aprovadas por ambos ospaises.

Dessa forma, produtos de origem americana, porexempio, passariam por um protocolo de liberação alfandegária antes da saída dos EUA, em vez de aguardar liberação da Receita quando chegam ao Bras il. O mecanismo que funcionaria da mesma forma para itens brasileiros com destino aos EUA seria baseado em uma espécie de autorização prévia de empresas consideradas confiáveis por departamentos dos dois governos.

Cada país já conta com um protocolo simplificado desse tipo. No Brasil, são os Operadores Econômicos Autorizados. Nos EUA, o programa tem o nome de Trusted Traders. Asnegociaçõespara queesses sistemas sejam reconhecidos e aplicados nos negócios bilaterais já começaram, e a expectativa dos brasileiros é que o martelo seja batido até o fim deste ano.

As empresas participantes precisam demonstrar ás autoridades q ue se a deq ua m às regulações locais, incluindo regras tributárias, sanitárias e de segurança. Quem for beneficiado pode receber trata mento diferenciado, ficando sujeito a rotinas de inspeção mais simples e rápidas. A previsão é que Araújo aprofunde esse e outros assuntos em conversas com representantes de comércio do governo Trump durante os três dias que pretende passar em Washington.

O chanceler deve se reunir com Wilbur Ross, secretário de comércio, Robert Lighthizer, representante para o comércio internacional dos EUA, e Larry Kudlow, conselheiro econômico da Casa Branca. Na sexta (13), Araújo tem encontro com o secretário de Estado, Mike Pompeo, para a retomada de um fórum bilateral para ampliar a parceria entre os países, chamado de Diálogo de Parceria Estratégica.

Segundo integrantes do Itamaraty, havia ainda a possibilidade de um encontro com o secretário de Segurança Nacional, J ohn Bolto n. Mas Bolton foi demitido no início da tarde desta terça por Trump. O ministro dará também uma palestra na Heritage Foundation, o maior think tank conservador dos EUA, alinhado ao governo Trump.

Medidas de redução da burocracia e custos de importara o e exportação podem ajudar a pavimentar as negociações para o acordo comercial, já quesão menos sensíveis que discussões sobre a redução ou isenção de tarifas. Como mostrou a Folha, não está previsto que haja eliminação total de impostos nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

A avaliação é que a boa sinergia dos governos Jair Bolsonaro e Donald Trump não é suficiente para romper in teresses políticos em barreiras históricas. A pesar de o minis tro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que o Brasil já começou a negociar com os EUA, as tratativas oficiais do acordo comercial ainda não foram lançadas. Nos EUA, o Congresso precisa dar o aval para que o UST representante c omercial americano inicie o trâ noite formal.

No Brasil, o Legislativo chancela o trato somente depois de firmado. A expectativa é que a visita de Araújo comece a traçar a abrangência do possível acordo comercial, apesar de até os mais otimistas afirmarem que umaaliança dessa proporção náo deva sair do papel em menos de cinco anos.

Marina Dias e Bruno Boghossian

 

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