Brasil: Banco Central decide manter taxa básica de juros em 2%

Brasil: Banco Central decide manter taxa básica de juros em 2%

18:48 - O Copom vê inflaçao acima do esperado também em dezembro mesmo com um 'arrefecimento' no preço dos alimentos

BRASÍLIA — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, pela terceira vez, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 2%. O patamar é o menor da série histórica iniciada em 1996.

A decisão veio mesmo em um cenário de alta na inflação nos últimos meses. Em novembro, a inflação foi de 0,89%, acima do esperado pelo mercado e a maior alta para o mês desde 2015. No acumulado do ano, o IPCA chega a 3,13% e, em 12 meses, 4,31%.

O resultado para os últimos 12 meses chegou a superar o centro da meta para este ano, que é de 4%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No entanto, na leitura do Banco Central, a alta na inflação é um fenômeno temporário puxado pela alta do preço dos alimentos.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Banco Central, as leituras da inflação dos últimos meses foram acima do esperado e devem continuar assim mesmo em dezembro, apesar de um esperado "arrefecimento" no preço dos alimentos.

"Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente".

A expectativa do mercado, mostrada pelo boletim Focus, é que a inflação termine o ano em 4,21%. Na última reunião do Copom, em outubro, essa projeção estava em 2,99%, o que mostra o impacto das seguidas altas no índice nos últimos meses.

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para atingir a meta da inflação. Quando está abaixo da meta, o BC corta os juros, estimulando o crédito, aumentando o consumo e a inflação. Quando a inflação parece caminhar para acima da meta, o BC eleva os juros, encarecendo o crédito, que por sua vez freia o consumo, reduzindo a inflação.

Contudo, o efeito de uma alteração na Selic leva de seis a nove meses para chegar na economia real. Por isso, o Banco Central já trabalha com as projeções de inflação para 2021 e 2022, que têm metas de 3,75% e 3,5%, respectivamente.

Riscos para a inflação

O Copom também vê um risco maior da inflação subir do que cair por conta do chamado "risco fiscal", com o aumento de gastos e do endividamento do governo. O comunicado ressalta que um prolongamento das políticas fiscais de enfrentamento à pandemia ou "frustrações" na agenda de reformas estruturais podem fazer com que os juros subam.

"O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia".

Por outro lado, o Copom também lembra que um nível de ociosidade na atividade pode levar a uma inflação abaixo do esperado, principalmente se houver uma reversão lenta dos efeitos da pandemia e o aumento da poupança precaucional.

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