Brasil apoia colombiano contra argentino no CAF

Brasil apoia colombiano contra argentino no CAF

30/06 O governo de Jair Bolsonaro considera que Dias-Granados representa melhor os “valores e princípios” defendidos pelo Brasil para o Banco de Desenvolvimento da América Latina

O governo brasileiro vai apoiar o colombiano Sérgio Diaz-Granados na briga com o argentino Christian Asinelli para a presidência do Banco de Desenvolvimento da América Latina (conhecido pela sigla CAF, da antiga Corporación Andina de Fomento), na eleição que ocorrerá na segunda-feira (5), no México.

O governo de Jair Bolsonaro considera que Dias-Granados representa melhor os “valores e princípios” defendidos pelo Brasil para essa que é uma das instituições financeiras multilaterais mais importantes da região. Ele é ex-ministro de Comércio e atual diretor-executivo para a Colômbia no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Esse apoio contra Asinelli, que faz parte da Secretária de Assuntos Estratégicos
da presidência argentina, ilustra o estado das relações atuais entre os governos de Bolsonaro e de Alberto Fernández.

A eleição no CAF foi antecipada por causa da demissão de Luis Carranza Ugarte em março. Na carta de demissão, Ugarte, um ex-ministro de Finanças do Peru, acusou o governo da Argentina de pressões indevidas e indicou que sua saída “evitará a politização do CAF”. No entanto, fontes atribuíram o real motivo da saída ao acúmulo de denúncias contra ele, incluindo de assédio no local de trabalho a abuso de poder e
elevado número de partidas voluntárias ou demissões no banco.

O secretário de Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério da Economia, Erivaldo Gomes, confirmou o voto brasileiro ao candidato colombiano e disse que o Brasil quer “mais transparência e melhora na governança, com mecanismos que apurem e corrijam esses problemas”.

Segundo Gomes, os dois candidatos se comprometeram com o objetivo do Brasil de criação de uma divisão específica para apoiar o financiamento ao setor privado na região. E que, em função de conversas com ambos, o governo brasileiro entendeu que o colombiano podia melhor implementar os compromissos.

O CAF tem nove vice-presidências e o Brasil quer continuar com duas delas no mandato de cinco anos. Uruguai, Peru e Equador também já confirmaram apoio ao candidato colombiano, e este por sua vez diz ter votos suficientes para ser eleito.

Quanto à capitalização do CAF, o que o Brasil discutiu com os dois principais candidatos foi que o banco precisa antes otimizar seu balanco, reduzir custos e aumentar eficiência. E mobilizar mais recursos atraindo novos sócios e fazendo parcerias para projetos com outras instituições, incluindo bancos multilaterais, fundos de pensão e investidores institucionais.

O CAF concorre com o BID. Em 2019, o CAF aprovou US$ 13 bilhões de empréstimos aos setores público e privado na América Latina. No caso do Brasil, o volume de empréstimos do banco para o país alcançou US$ 1,67 bilhão em 2020, bem próximo do montante fornecido pelo BID.

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