Bradesco compra banco nos EUA e mira R$ 1,6 tri de brasileiros no país

Bradesco compra banco nos EUA e mira R$ 1,6 tri de brasileiros no país

ENTREVISTA :OCTAVIO DE LAZARI. Em uma iniciati va para atender melhor clientes do segmento de alta renda que investem no exterior, o Bradesco fechou a compra do BAC Florida, nos Estados Unidos, porUS$ 500 milhões (quas e Rff 1 bilhões). Além disso, o banco mira os quase US$ 400 bilhões (R$ 1,6 trilhão) que brasileiros têm investidos nos EUA. Dos 10 mil clientes do BAC, 20% são brasileiros.

Com essa aquisição, o segmento Private do Bradesco praticamente dobra de tamanho dos atuais 13 mi] correntistas de altíssima renda. O BAC servirá de estrutura para a oferta de investimentos, crédito imobiliário e também serviçosbancários a os clientes do B radesco, especialmente aqueles que vieram do HSBC, afirmou ã Folha o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari. A operação ainda depende do aval de órgão reguladores no Brasil e nos Estados Uni dos.

Essaê a primeira aquisição de instituição financeira feita pelo Bradesco desde a compra do HSBC no Brasil, aprovada em 2016. À época, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) impôs um prazo de 30 meses pai a novas compras.

O banco não está pagando caro por uma estratégia isoladadeinvestimentonoexterior? Aaquisiçãonãoéumvalor tão relevante, e é por um banco que está bem estruturado e dá retorno [sobre o patrimônio líquido] de quase de 16%, patamar elevado para o mercado americano. O cliente de alta renda tem muitos produtos e serviços dentro dobanco, diferentemente do varejo, então existe uma possibilidade de fidelização muito grande.

Mas faltava para a gente ter a presença internacional, para que pudesse atender essesclientesde formarápida. Alguns clientes quevieram do HSBC sentem a falta disso, a aquisição desse banco vem suprir essa carência. Com a competição no setor de alta renda trazida pelas corretoras, o banco via risco de fiiga de clientes? Não digo que havia fuga, mas talvez a gente não tivesse o total de investimentos dos clientes.

O investimento [no BAC] vem para proteger e aumentar o relacionamento dos clientes no Brasil, sem perder de foco que estudos estimam US$ 1,5 trilhão (R$ 6 trilhões) latino-americanos investidos nos EUA. Debrasileiros, são US$ 400 bilhões (R$ 1,6 trilhão). É ummercado bastante promissor.

O banco pretende fazer ou tras aquisições no exterior? Não. Como na Europa a gente tem agência em Luxe mb urgo, a principal c arê 11cia [EUA] está suprida. Quantos clientes o Bradesco pretende incorporar? Dos clientes do BAC, 20% são brasileiros, e 10%, americanos. E, no Brasil, podemos trazer investimentos de clientes que j á são nosso s, mas estão em outros bancos. Quando o Brasil atravessa crises, a tendência é que mais investidores procu rem levar recursos para o exterior. O sr. entende que é o caso do cenário atual? Não diria que é por causa disso, mas todo cliente que tem alto volume de investimentos tem como boa prática a diversificação.

E com a taxa de juro a 6,5% é natural que as pessoas procurem investimentos em dólar. Qual é a avaliação do sr. sobre a atual situação da reforma da Previdência? Acho que as coisas entraram nos trilhos. Na visão mais otimista, deveria ser votada no primeiro semestre, mas a gente acha que fica para fim de agosto ou setembro. O se afirmou que a economia não pode ser menor do que RSitrilhãoemdez anos.

Ai nda é factível, depois de o presidente Jair Bolsonaro ter admiti do um corte menor? A gente tem de buscar R$ 1 tri Eião. É importante não só pelofato de serR$ 1 trilhão, mas pelo que vai representar para o país, para que a gente possa entrar em ritmo de crescimento sustentável. Com uma reforma abaixo, vai ter de rediscutir medidas em cinco anos. Já que temos a oportunidade, devemos insistir na reforma mínima desse valor.

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