Bolsonaro privilegia em encontros em Davos países de menor peso comercial

Bolsonaro privilegia em encontros em Davos países de menor peso comercial

Comitiva brasileira se reúne com representantes de República Tcheca, Geórgia e Polônia

Maria Cristina Frias, Luriana Coelho e Lucas Neves
Davos

O último dia da estada da maior parte da comitiva presidencial em Davos foi repleto de reuniões bilaterais com países de pouca importância comercial para o Brasil ou sem maior envergadura no xadrez geopolítico.

O presidente Jair Bolsonaro se encontrou na manhã de quinta-feira (24) com o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis. O país eslavo responde por 0,035% das exportações brasileiras. Em 2018, as vendas de bens para lá totalizaram US$ 84 milhões, montante que posiciona os tchecos em 98º lugar no ranking de compradores.

Em seguida, Bolsonaro teve um encontro com seu homólogo polonês, Andrzej Duda. Para o país em que o discurso anti-imigração e as investidas contra a independência dos Poderes crescem com força, o Brasil exportou no ano passado US$ 857 milhões (0,36% do total).

Já o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se reuniu com David Zalkaliani, titular da pasta de Negócios Estrangeiros da Geórgia, para onde foram em 2018 US$ 203 milhões em produtos brasileiros, o equivalente a 0,085% do montante vendido para fora.

Antes de deixar o hotel em que estava hospedado rumo a Zurique, de onde tomaria o voo de volta para o Brasil, Bolsonaro esteve também com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Os dois países integram o consórcio de emergentes Brics, cuja presidência temporária Pretória está entregando a Brasília.

A exceção na agenda foi a Holanda do primeiro-ministro Mark Rutte, que ocupa a quarta posição na classificação das vendas brasileiras para o exterior (US$ 13 bilhões, ou 5,45%). Artigos ligados à exploração de petróleo e produtos alimentícios encabeçam as compras holandesas.

A agenda de compromissos de quinta foi fechada com bilaterais com a Coreia (encontro entre chanceleres) e a Colômbia (presidentes). O país asiático comprou US$ 3,4 bilhões do Brasil em 2018 (1,43%, 13º lugar).

O país sul-americano, além de parceiro regional incontornável em termos políticos, é o 19º que mais adquire produtos brasileiros (US$ 2,8 bilhões, ou 1,17% do total), com destaque para partes automotivas.

Ernesto Araújo é o único ministro que ficará mais um dia em Davos. Ele volta ao Brasil nesta sexta-feira (25), depois de participar de um evento da OMC (Organização Mundial para o Comércio).

Na quinta, nenhum integrante do alto escalão da comitiva brasileira quis dar entrevista à imprensa antes da saída do hotel em que o presidente e alguns ministros estavam hospedados.

Após desmarcar a coletiva de quarta-feira (23) e limitar-se a responder os repórteres com um bom dia, Brasil!, Bolsonaro deixou Davos sem nenhuma declaração ou entrevista formal à imprensa brasileira, nem mesmo acerca de sua participação no evento. Abriu exceção apenas para uma entrevista gravada para a Rede Record.

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