Bolsonaro, Obrador e Abdo Martínez não participam de cúpula iberoamericana nesta quarta-feira

Bolsonaro, Obrador e Abdo Martínez não participam de cúpula iberoamericana nesta quarta-feira

18:40 - Lideranças da América Latina e Península Ibérica querem focar no fornecimento de vacinas contra a Covid-19 e planos para recuperação pós-pandemia; presença de Maduro provocou críticas de alguns países

SOLDEU, Andorra — Lideranças da América Latina e da Península Ibérica se reúnem nesta quarta-feira em Andorra com uma pauta focada nos desafios sanitários e econômicos impostos pela pandemia do novo coronavírus. Mas o encontro já começa marcado pelas ausências dos líderes do Brasil, México e Paraguai, e pela presença de Nicolás Maduro, em um convite que gerou protestos por parte de alguns dos participantes.

Realizada de forma híbrida, com os líderes de Espanha, Portugal, Guatemala, República Dominicana, além da anfitriã, Andorra, em Soldeu, e os demais participando por videoconferência, o encontro tentará estabelecer posições comuns sobre a pandemia, que deixou quase um milhão de mortos nas nações iberoamericanas.

Um dos pontos é o chamado ao “acesso universal às vacinas como um bem público global” e fortalecer o consórcio Covax, liderado pela Organização Mundial da Saúde e que tem como objetivo permitir uma distribuição igualitária das vacinas pelo mundo. Antes do encontro, alguns líderes criticaram a dificuldade no acesso aos imunizantes: os líderes da Guatemala, Eduardo Giammattei, e da República Dominicana, chegaram a classificar as ações da Covax de “um fracasso”.

— Há uma desigualdade abissal no acesso à vacinação, e todos sabemos que para ter uma recuperação global, não haverá segurança até que todos estejamos vacinados — afirmou o presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado, que participará de forma remota, durante um fórum empresarial que antecedeu a cúpula.

Enquanto nações como o Chile estão a algumas semanas de imunizar quase toda a população, em outros países, como a Venezuela, a aplicação das doses caminha a passos lentos, e no atual ritmo pode levar alguns anos até ser concluída.

Diante deste cenário, a Espanha, onde 20% da população já receberam ao menos uma dose de vacinas, prometeu doar, “assim que possível”, imunizantes à América Latina, sem especificar números. Também será feito um apelo ao Fundo Monetário Internacional para que facilite o acesso a linhas de financiamento emergenciais, como forma de apoiar o processo de recuperação das economias regionais da América Latina, que viram uma queda de quase 8% do PIB em 2020.

Ausências e presenças
Antes do início da reunião, talvez o maior destaque do evento sejam as ausências do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, do mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, e do paraguaio Mario Abdo Benítez, e uma presença contestada por alguns, a do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Maduro não é reconhecido como o representante do governo de Caracas por vários países que estarão à mesa, como Brasil, Colômbia e Chile, que consideram o oposicionista Juan Guaidó como o legítimo chefe de Estado venezuelano. Apesar das objeções, Andorra, que é o país anfitrião, decidiu aplicar os critérios das Nações Unidas, e convidar Maduro, que deve ser alvo de ataques, mas também usará o espaço para defender algumas posições.

Segundo diplomatas venezuelanos, ele deve fazer duros ataques à política de sanções internacionais, tentando relacioná-las à grave crise enfrentada pela nação e ainda mais colocada em evidência em meio à pandemia, com falta de medicamentos e dificuldades para a obtenção de vacinas. Esta será a primeira participação de Nicolás Maduro como presidente em uma cúpula Iberoamericana — em 2011, representou a Venezuela como chanceler, e em 2016 desistiu pouco antes do início do evento, mesmo tendo confirmado sua presença.

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