Bolsonaro ignora pressão por saída de Ernesto e diz que chanceler é ‘homem de bem e de confiança’

Bolsonaro ignora pressão por saída de Ernesto e diz que chanceler é ‘homem de bem e de confiança’

15:48 - Aliados dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), avaliam como pequenas as chances de o presidente Jair Bolsonaro demitir o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no curto prazo. O diagnóstico é sustentado pela defesa que o chefe do Poder Executivo fez em relação às críticas descarregadas por

Em conversas reservadas, Bolsonaro ouviu críticas de Lira e de Pacheco sobre a atuação do chefe do Itamaraty, mas destacou que Araújo é “um homem de bem e de sua total confiança”.

Ainda que o presidente resista a demitir o auxiliar, interlocutores dos chefes do Poder Legislativo apostam que o ministro pode ser sacado do cargo quando os holofotes não estiverem concentrados sobre sua eventual exoneração.

Para um dirigente partidário do Centrão, Bolsonaro quer evitar ceder às pressões para que seus apoiadores mais conservadores não interpretem como “um enfraquecimento do presidente e uma subserviência ao grupo de partidos do centro”.

Na tentativa de acalmar os senadores e preservar Araújo no cargo, Bolsonaro ofereceu ao Congresso a cabeça do assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins. O presidente deixou o Palácio do Planalto no fim da manhã desta sexta-feira para encontrar-se com o presidente do Senado e fazer-lhe a oferta. Filipe Martins virou alvo da revolta de senadores na quarta-feira ao fazer um gesto captado pelas câmeras no exato momento em que Pacheco falava durante uma audiência de Araújo no Senado. Alguns identificaram o gesto como sendo um sinal usado por supremacistas brancos. Outros viram no gesto, com o dedão e o polegar em círculo e os demais três dedos levantados, uma obscenidade.

O Valor apurou junto a fontes do Palácio do Planalto que foram oferecidos a Martins alguns cargos dentro da estrutura do governo. A ideia, segundo esses interlocutores, é usar a saída de Filipe "como um ponto de inflexão na política externa", sob a alegação de que ele acabava tendo primazia nas diretrizes políticas em relação a países importantes como China, EUA, União Europeia e Índia. Segundo uma fonte, a expectativa é que haja realmente "uma inflexão de modo pontual, em relação ao 5G, ao meio ambiente e alguns outros temas".

Araújo não é unanimidade nem mesmo dentro do governo. Ministros militares e políticos tentam conter a influência da ala ideológica, da qual Araújo é um dos maiores expoentes, dentro do governo. O enfraquecimento do chanceler passa também pela oposição desses grupos, que vêm alertando o presidente sobre os prejuízos da política externa defendida por Araújo e Filipe Martins.

Um dos principais conselheiros de Bolsonaro, o almirante Flávio Rocha assumiu o protagonismo em conversas com a China, uma vez que Araújo está rompido com o embaixador do país asiático no Brasil, Yang Wanming. Rocha também tem sido o responsável pelos contatos com a Argentina, governada pelo kirchnerista Alberto Fernández. A vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos
fragilizou ainda mais Araújo, que propagava uma política de alinhamento automático ao antecessor Donald Trump e insinuou que a vitória democrata foi fruto de fraude
eleitoral.

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