Bolsonaro faz ‘encontro virtual’ com Fernández

Bolsonaro faz ‘encontro virtual’ com Fernández

Primeira reunião bilateral entre mandatários acontece quase um ano após argentino assumir o cargo

O presidente Jair Bolsonaro teve ontem o primeiro encontro bilateral com o argentino Alberto Fernández, quase um ano após o mandatário do país vizinho assumir o cargo. O Palácio do Planalto não comentou o teor da conversa e só colocou o encontro na agenda oficial do presidente à noite, horas após seu encerramento. Bolsonaro, que torceu abertamente pelo adversário do esquerdista, o então presidente Mauricio Macri, tem feito críticas frequentes ao governo argentino.

Já Fernandez, embora ocupe campo político oposto do colega, tem pregado uma relação pragmática com o Brasil. Em uma videoconferência, ele defendeu que diferenças sejam deixadas no passado em busca de pontos de acordo, como o projeto de expansão do fornecimento de gás ao Brasil.

Ontem, o encontro ontem ocorreu no âmbito do aniversário de 35 anos do “dia da amizade” entre Brasil e Argentina. José Sarney, então presidente à época da assinatura da data simbólica, também acompanhou uma solenidade on-line após a agenda bilateral.
Segundo comunicado emitido pelo governo argentino, a reunião serviu para alinhar pontos de interesse comum e o fortalecimento do Mercosul.

“Pela primeira vez, começou a se pensar na integração do continente”, disse Fernández a Bolsonaro, segundo a Casa Rosada. “Celebro este encontro para dar ao Mercosul o impulso que está necessitando e é imperioso que Brasil e Argentina o façam juntos.”

O presidente argentino citou o que considera uma oportunidade de viabilizar o desenvolvimento do fornecimento de gás ao Brasil. Ele fez referência ao projeto de construção de um novo gasoduto entre os dois países, que impulsionaria o uso de gás argentino pela indústria brasileira. “Temos oportunidades no desenvolvimento para o fornecimento do gás para a Argentina e o Brasil”, afirmou Fernández, destacando também a preocupação de seu país em trabalhar junto com o Brasil em temas ambientais e de avançar nas áreas de segurança e Forças Armadas.

O projeto de gás envolve a construção de um novo duto entre os municípios de Uruguaiana (RS) e Porto Alegre, orçado preliminarmente em US$ 1,2 bilhão e com extensão de quase 600 quilômetros. O Valor noticiou, em setembro, a apresentação da ideia pelo embaixador argentino Daniel Scioli ao governo Bolsonaro.

O projeto de gasoduto visa escoar a produção de Vaca Muerta - uma das maiores reservas de gás de xisto do planeta - até Porto Alegre. De lá, o insumo argentino poderia conectar-se com a rede brasileira para abastecer os mercados da região Sul e de São Paulo.
Além das obras do lado brasileiro, o projeto prevê a ampliação da capacidade de transporte no sistema de 1.430 km de dutos que corta o país vizinho. São investimentos estimados em US$ 3,7 bilhões.

O presidente brasileiro limitou-se a divulgar fotos do encontro em redes sociais, sem comentar detalhes da audiência.

Por Matheus Schuch e Fabio Murakawa

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