Bolsonaro elogia força militar da índia, mas rejeita produzir armas nucleares

Bolsonaro elogia força militar da índia, mas rejeita produzir armas nucleares

Sob forte esquema de segurança, presidente brasileiro foi convidado de honra do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e acompanhou um desfile de soldados, armas e carros alegóricos em Nova Délhi, na celebração da maior festa nacional do país

O presidente Jair Bolsonaro foi convidado de honra na cerimônia do Dia da República da índia, principal festa do país. Sob forte esquema de segurança, ele assistiu ontem a um desfile de tropas e armamentos, elogiou o poder militar indiano, uma das nove potências nucleares do mundo, mas garantiu que o Brasil não pretende desenvolver armas atômicas.

`(A índia) é um país nuclear, inclusive por causados problemas que existem na região. Mas eles não chegam às últimas conseqüências j ustamente pelo poderio bélico que têm`, disse Bolsonaro, sugerindo que os armamentos de ponta não haviam sido mostrados no desfile. `Todo mundo sempre esconde essa questão.` O presidente, no entanto, negou o interesse brasileiro em armas nucleares. `Está na nossa Constituição que abdicamos da energia nuclear, a não ser para fins pacíficos`, afirmou.

Cerca de 1% da matriz energética do Brasil é nuclear - produzida em dois reatores em Angra dos Reis (RT). O programa nuclear brasileiro, no entanto, sempre foi visto com desconfiança pela comunidade internacional. Apenas em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, é que o País aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Atualmente, além dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, China, França, Reino Unido - outros quatro países têm armas nucleares: índia, Paquistão, Israel e Coréia do Norte.

 O governo americano, que historicamente sempre trabalhou em favor do regime internacional de não proliferação, tem se esforçado nos últimos anos para evitar que o clube ganhe seu décimo membro: o Irã.

O presidente Donald Trump tem mantido um rígido pacote de sanções para tentar conter as ambiciones iranias.

 O convite de honra para o Dia da República foi o ápice da viagem de quatro dias de Bolsonaro à índia. Durante a visita, ele assinou 15 acordos bilaterais e trocou promessas de mais investimentos com o premiê indiano, Narendra Modi. Ontem, os dois líderes se sentaram lado a lado para acompanhar a parada militar.

A segurança do evento foi reforçada com drones, helicópteros, 10 mil soldados, além de bloqueios de avenidas, ruas e alamedas da capital indiana. No céu, caças animaram a população com voos rasantes. Em alguns momentos, o cortejo lembrou o desfile das escolas de samba do carnaval brasileiro, com camelos fantasiados, malabaristas e carros alegóricos exaltando a diversidade cultural da índia, um país de 1,3 bilhão de habitantes.

A transmissão da festa do Dia da República foi realizada por vários canais de TV. O rosto do presidente foi mostrado diversas vezes. Em razão do fuso de oito horas e meia e da agenda intensa, ele aparentava cansaço. A viagem se encerra hoje, com um encontro com empresários e uma visita ao Taj Mahal, ponto turístico mais conhecido do país.

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