Bolsonaro e Fernández se evitam em reuniões

Bolsonaro e Fernández se evitam em reuniões

Presidente argentino não participa de encontro virtual do Mercosul após Bolsonaro desfalcar discussão na segunda-feira; países decidem coordenar repatriamento de cidadãos do bloco

No começo da semana, tudo parecia indicar que os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Argentina, Alberto Fernández, finalmente participariam de uma reunião de trabalho, neste caso devido à pandemia do coronavírus, virtual. Assim deveria ter sido, mas não foi.

Na última segunda-feira, no encontro virtual de chefes de Estado do Foro para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (Prosul), o presidente brasileiro não participou, e o argentino esteve conectado apenas alguns minutos, essencialmente para expressar seu repúdio à exclusão da Venezuela do encontro. Ontem, foi Fernández quem decidiu não se unir aos demais presidentes do Mercosul. No momento de uma pandemia considerada por altas autoridades brasileiras como uma guerra, os presidentes do Brasil e da Argentina continuam se evitando.

SEM FOTO

Segundo fontes argentinas, Fernández quer evitar uma foto com Bolsonaro neste momento, como vem fazendo desde o dia em que assumiu o poder, em dezembro passado. O anunciado encontro entre ambos no Uruguai, no começo de março, não aconteceu por problemas de agenda do presidente argentino. Acrise do coronavírus levo uF ernán dez a divulgar fotos trabalhando junto com o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, aliado do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019). Masa foto com Bolsonaro ainda parece longe de tornar-se realidade, mesmo no mundo virtual.

Na reunião do Pros ulna segunda passada, oBrasilf oire presentado pelo chanceler Ernesto Araújo. No encontro virtual desta quarta, seu colega de pasta argentino, Felipe Solá, foi o encarregado de falar em nome do governo Fernández.

Na videoconferência desta quarta, a repatriação de cidadãos do Mercosul que se encontram retidos em outros países foi considerada o tema mais urgente. Os quatro países desenvolverão ações conjuntas para trazer de volta essas pessoas, usando transportes e outros meios de infraestrutura comuns.

Apesar de a Argentina ter decidido fechar suas fronteiras, o Brasil somente se manifestou até o momento em relaçãoà Venezuela. O governo federal proibiu por 15 dias a entrada de estrangeiros pela fronteira em Roraima, para conter a disseminação do novo coronavírus. A restrição não se aplica a brasileiros, natos ou naturalizados, nema imigrantes com autorização de residência ou profissionais estrangeiros de organismos internacionais. A medida também não impede o tráfego de cargas e a execução de ações humanitárias.

Na reunião, Brasil e Argentina já teriam ressaltado que as medidas a serem tomadas para proteger as populações da doença não devem atrapalhar o comércio de bens e aprestação de serviços dentro do bloco. Paraguai e Uruguai demonstraram maior preocupação com seus cidadãos que se encontram no exterior.

O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, fez uma apresentação sobre as medidas tomadas pelo Brasil. Destacou a redução az erodas tarifas deim portação de cer cade 50 itens, entremáscaras cirúrgicas, luvas e aparelhos parares piração.Bol sonar o conclamou a todos para que trabalhem em conjunto e disse que é preciso manter a calma e a serenidade.

RECEIO PARAGUAIO

Recentes atitudes do governo brasileiro e especificamente do presidente Bolsonaro geraram preocupação em países vizinhos, entre eles o Paraguai. O crescimento de casos de coronavírus no Brasil e o discurso de Bolsonaro que nos últimos dias referiu-se à doença como uma fantasia foram considerados irresponsáveis pelos dirigentes do Partido Colorado, atualmente no poder, como o ex-chanceler Eladio Loizaga.

As coisas que Bolsonaro diz são preocupantes, é como se o presidente não quisesse verarealidadedisseLoizaga ao GLOBO.

Para ele, o Brasil é um continente dentro do continente e tudo o que acontecer no Brasil terá enorme impacto em todos os países da região.

Estamos tentando sair da epidemia da dengue e já teremos de enfrentar o coronavírus. Precisamos trabalhar em forma conjunta para lidar com essa situação nova e muito delicada frisou.

No Paraguai, foram fechadas as fronteiras e proibida a circulação de pessoas nas ruas entre 20h e 5h.

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