Bolsonaro é criticado por ‘gestão criminosa’ e mortes na pandemia no Parlamento Europeu

Bolsonaro é criticado por ‘gestão criminosa’ e mortes na pandemia no Parlamento Europeu

A condenação foi geral ao negacionismo promovido e praticado pelo presidente brasileiro

Um debate nesta quinta-feira no Parlamento Europeu sobre a crise de covid-19 naAmérica Latina e violação dos direitos humanos resultou numa saraivada de duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, acusado de ser o principal responsável pela tragédia no Brasil.

Deputados que participaram do debate conclamaram a União Europeia (UE) a aumentar a cooperação com a América Latina em geral, não apenas na compra e distribuição de vacinas, mas também no combate à desinformação sobre o vírus. A condenação foi geral ao negacionismo promovido e praticado pelo presidente brasileiro.

“Com a gestão criminosa de Bolsonaro, ele em vez de fazer guerra ao vírus faz guerra contra a ciência”, acusou o deputado espanhol Miguel Urban Crespo, da esquerda europeia. Para o deputado, o presidente brasileiro faz “necropolítica e lesa humanidade” , acrescentando que “Bolsonaro é não apenas um perigo para o Brasil, mas para o mundo inteiro”.

A deputada Maria Manuel Leitão, do Partido Socialista português, notou que a pandemia castigou mais a América Latina, que tem 8,4% da população mundial, mas já conta 25% das mortes totais causadas pela covid. “Precisamos ajudar na compra, produção e distribuição de vacinas e no combate à desinformação”, afirmou.

A deputada alemã Anna Cavazzani considerou que a tragédia sanitária no Brasil poderia ter sido evitada, e acusou o presidente Bolsonaro de estratégia deliberada. Observou que há uma diferença entre tentar combater o vírus e se recusar a fazer isso.

“Bolsonaro, desde o começo, se recusou a tomar medidas com base científica, encorajou manifestações de massa, questionou a vacinação, foi à Justiça contra governadores que decretaram medidas de confinamento, e quase 400 mil pessoas estão mortas” , acusou.

Leila Chaib, da esquerda francesa, falou de “política criminosa de Bolsonaro”, enquanto Fabio Castaldo, do Movimento 5 Stelle italiano contou no plenário do Parlamento Europeu que no Brasil pessoas entubadas são amarradas na falta de sedativos.

A deputada portuguesa Isabel Santos, da social-democracia, denunciou o “mais irracional negacionismo de Bolsonaro e de ele ter feito tudo para a população não ser vacinada. Não foi erro, mas irresponsabilidade deliberada. O tempo e o povo vão julgá-lo”.

A deputada sueca Jutty Guteland, da aliança progressista europeia, reclamou que a situação ficou pior no Brasil com a “falsa propaganda” do presidente brasileiro. A deputada Isazkun Bilbao Barandica, do Renova Europa, acrescentou que a “atuação de Bolsonaro ajuda o vírus a matar’”. A deputada húngara Kattalin Cseh comparou a atuação de Bolsonaro ao que vê em seu país também, em termos de negacionismo da dimensão da crise.

Entre parlamentares de centro-direita, o tom foi igualmente de condenar o negacionismo. Alguns não mencionaram Bolsonaro, mas “líderes negacionistas que cometeram inumeráveis erros”. Mas destacaram também erros na Europa no combate ao vírus.

O deputado espanhol Jordi Canas sugeriu cooperação em vez de querer dar lições à América Latina, no que foi seguido por parlamentares como Joachim Stanislaw Brudzinski, da Polônia, José Manuel Fernandes, de Portugal, Leopoldo Gil, da Espanha, e Paulo Rangel, de Portugal.

A maioria dos deputados defendeu flexibilização de patentes para produção de vacinas. Insistiram na importância de a UE contribuir nas campanhas de vacinação na América Latina e no combate ao fake news.

A comissária europeia para estabilidade financeira, Mairead McGuinness, reconheceu o “impacto devastador” do vírus na América Latina e observou que a cooperação com a região vai continuar firme.

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