Bolsonaro diz que Brasil não vai aceitar 'subornos' e chama de 'lamentáveis' declarações de Biden sobre a Amazônia

Bolsonaro diz que Brasil não vai aceitar 'subornos' e chama de 'lamentáveis' declarações de Biden sobre a Amazônia

30/09 - 15:00 - Presidente disse que cobiça de alguns países sobre floresta é "uma realidade", em reação à declaração do candidato democrata que sugeriu ajuda de US$ 20 bi e consequências se devastação não for contida

Victor Farias e Eliane Oliveira

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro classificou como "lamentáveis" as declarações de Joe Biden, candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, no debate de terça à noite, sobre a preservação da Amazônia brasileira. Segundo Bolsonaro, a soberania nacional é "inegociável" e o Brasil não vai aceitar "subornos". Além da ajuda equivalente a R$ 113 bilhões, o ex-vice de Barack Obama sugeriu consequências econômicas ao Brasil se a devastação não for contida.

"O que alguns ainda não entenderam é que o Brasil mudou. Hoje, seu Presidente, diferentemente da esquerda, não mais aceita subornos, criminosas demarcações ou infundadas ameaças. NOSSA SOBERANIA É INEGOCIÁVEL", escreveu em rede social.

Bolsonaro, que desde que assumiu o governo em 2019 tem recebido críticas externas sobre sua política ambiental, disse que o seu governo "está realizando ações sem precedentes para proteger a Amazônia" e que cooperações entre os dois países são bem-vindas, como as que estaria discutindo com Donald Trump, que tenta a releição.

A citação ao Brasil foi uma exceção no primeiro debate entre Trump e Biden, no qual a política externa dos EUA não esteve em discussão, salvo pelos habituais ataques de Trump à China para defender sua gestão diante da pandemia da Covid-19.

Durante o embate os candidatos à Presidência dos EUA, Biden tocou em um dos pontos centrais de seu plano de governo, a questão climática, e citou o Brasil ao mencionar o papel de liderança que os EUA deveriam assumir no tema.

— A Floresta Amazônica no Brasil está sendo destruída, arrancada. Mais gás carbônico é absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Eu tentarei ter a certeza de fazer com que os países ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): "Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de devastar a floresta. Se você não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas — afirmou o candidato democrata, sem entrar em detalhes sobre que consequências seriam essas.

O presidente brasileiro afirmou que a "cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade" e que "a externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua".

"Custo entender, como chefe de Estado que reabriu plenamente a sua diplomacia com os Estados Unidos, depois de décadas de governos hostis, tão desastrosa e gratuita declaração", disse.

As reações vieram também de outros integrantes do governo. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ironizou a promessa de Biden. "Só uma pergunta: a ajuda dos USD 20 Bi do Biden, é por ano?", questionou Salles, em uma rede social. Ele acrescentou que a quantia só cobriria parte dos US$ 100 bilhões prometidos a países em desenvolvimento em medidas para combater as mudanças climáticas como parte dos Acordos de Paris. Em termos de comparação, o valor sugerido pelo democrata estaria muito acima do Fundo Amazônia, que fechou 2019 com R$ 2,2 bilhões.

Também no Twitter, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, afirmou ainda na terça-feira que "nenhum dinheiro do mundo" pode comprar "a liberdade e soberania brasileira". A essa publicação, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, disse que "as narrativas fantasiosas são compradas não por quem acredita nelas, mas por quem acha que pode tirar proveito delas".

Nesta quarta-feira, Filipe Martins voltou ao tema. Destacou que a Amazônia brasileira é maior, em território, que a Europa Ocidental e abriga 25 milhões de pessoas de diferentes etnias, "que aspiram vidas melhores, empregos mais dignos e têm o direito de buscar o desenvolvimento e o progresso como qualquer um de nós".

Ele afirmou que o compromisso do governo Bolsonaro com a preservação do meio ambiente está ligado ao cuidado com esses povos. Disse que essas pessoas não serão sacrificadas "no altar do ambientalismo hipócrita dos que falam muito e não fazem absolutamente nada".

A preocupação de Biden com a Amazônia e a ideia de levantar os US$ 20 bilhões havia surgido já no ano passado, nos primeiros momentos da disputa pela indicação do candidato do Partido Democrata. Na época, o ex-vice-presidente defendeu medidas em escala global para conter a destruição da floresta. Em março de 2020, quando já aparecia como o virtual favorito para a indicação, sinalizava que poderia adotar medidas mais duras contra o governo brasileiro caso nenhuma ação mais concreta fosse tomada.

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