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Bolsonaro atende ala militar e escolhe moderado para o MEC

Bolsonaro atende ala militar e escolhe moderado para o MEC

Nomeação de Carlos Alberto Decotelli,gestor de finanças e administração, é derrota para ala olavista do governo

Economista especializado cm gestão, Carlos Alberto Decotelli foi anunciado ontem como novo ministro da Educação. Decotelli, ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, é visto como profissional pragmático e distante do pensamento ideológico que dominou o MEC desde o início do governo Bolsonaro. Sua nomeação,antecipada pelo Estadão, significa derrota da ala olavista e vitória do grupo moderado militar. `Nào tenho competência para fazer adequação ideológica`, disse o sucessor de Abraham Weintraub. `Respeito a opinião de todos, mas tenho urgência de resolver questões que a covid desorganizou e precisamos resolver. Mas a idéia, claro, c fazcrumagestão que seja compatível com a realidade de cada um poder opinar`, afirmou. Ex-professor e oficial da reserva da Marinha, Decotelli, de 67 anos, é o primeiro ministro negro da atual gestão. Especialistas cm educação acreditam que ele pode retomar a interlocução com Estados e municípios,

Ele e o primeiro ministro negro do atual governo e foi tirado do MEC, onde chefiava o FNDE, justamente pelo antecessor, Weintraub. Seu 1Q teste será a lista de indicações deixadas para o Conselho Nacional da Educação. Especialistas acreditam que diálogo deve melhorar

Novo ministro da Educação é derrota para olavistas e vitória para militares

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, significa a derrota da ala olavista e vitória do grupo moderado militar. O economista especializado em gestão foi anunciado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro como substituto de Abraham Weintraub, demitido na semana passada. Dccotclli, cx-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), é visto como um profissional pragmático e distante do pensamento que dominou o MEC desde o início do governo. `Não tenho competência para fazer adequação ideológica`, afirmou após o anúncio. Ele é o primeiro ministro negro do governo Bolsonaro e foi tirado do MEC justamente por Weintraub. Mas já havia travado embates com os integrantes ligados a Olavo de Carvalho durante a curta c conturbada gestão de Ricardo Vélez. O primeiro ministro da Educação de Bolsonaro saiu do cargo depois de um conflito entre olavistas, militares c técnicos do órgão.

A indicação foi adiantada pelo Estadão. `Eu respeito a opinião de todos, mas eu tenho uma urgência tão grande de re- ?solver questões que a covid desorganizou e precisamos resolver isso. Mas a idéia, claro, c fazer uma gestão que seja compatível com a realidade de cada um poder opinar`, afirmou Decotelli, quando cjuestionado sobre pautas idcologicas, como cs- ?cola sem partido e ideologia de gênero. Ex- professor da Funda- ?ção Getúlio Vargas e da Fundação Dom Cabral, o oficial da re- ?serva da Marinha participou do grupo de militares que discutiu a transição para o governo Bolsonaro. E ntre eles estão o general Villas Boas e ovice-presidente Hamilton Mourão. Foi assim que ganhou o cargo no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no começo de 2019.

Decotelli, de 67 anos, ficou nove meses no órgão que cuida do dinheiro do MEC. Weintraubo tirou docargo para acomodar um indicado do DEM, Rodrigo Sérgio Dias. Conservador e de bom trato, especialistasemeducaçãoacreditam que ele pode retomar a interlocução com Estados e municípios, perdida desde o início do governo Jair Bolsonaro. Seu currículo informa que ele é bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Administração pela FGV c doutor cm Administração Financeira pela Universidade de Rosário (Argentina) e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal (Alemanha). Enquanto esteve no FND E, tentou modernizar o órgão em processos de prestação de contas e trabalhou muito com as prefeituras. Sua visão de educação, segundo quem já trabalhou com ele, é a de que falta boa gestão para que os sistemas funcionem de maneira adequada. A idéia é compartilhada por alguns economistas, mas não é consenso entre educadores, que querem focar na aprendizagem. Ideologia. No entanto, vai embora definitivamente do cargo mais altodoMEC a ideia da educação que precisa combater comunistas.

A preocupação deespecialistas é como devem se comportar os integrantes da área ideológica que continuam por lá, como Carlos Nadalim, secretário de Alfabctização c ligado a Olavo de Carvalho. A disputa pelo comando do MEC inobilizouasalas ideológica,militarecivil do Planalto. Decotelli acabou sendo o escolhido como uma alternativa apaziguadora e técnica para a função. O objetivo é reparar o desgaste da imagem do ministério que foi comandado até a semana passada por Weintraub. 0 primeiro teste para Decotelli como ministro, aliás, será a lista de novas indicações para o Conselho Nacional da Educação (CNE). O Estadão apurou que, antes de deixar o cargo, Abraham Weintraub escolheu 12 nomes para compor o órgão, que tem representantes da sociedade civil c é responsável por formular e avaliara polínca

nacional de educação. Na lista 1 há ligados a Olavo de Carvalho, sem expressão no meio educacional, c ao mercado do ensino superior privado, já atrelado ao governo Bolsonaro. Um deles é Tiago Tondinelli, ex-chefe de gabinete de Ricardo Vélcz,e integrante da alaolavistadoministério. Ele iria para a Câmara de Educação Básica do CNE. Outro nome é Gabriel Giannattasio, professor em Londrina, que já defendeu Olavo em artigos. Antônio Veronezi, um dos proprietários da Unisa e próximo de Weintraub e de Onyx Lorenzoni, é outro que aparece na lista. Segundo rontes, ele circula livremente pelo MEC, defendendo interesses das faculdades privadas. Ele seria nomeado na Câmara de Educação Superior, com Wilson de Matos Silva, dono da Unicesumar, em Londrina. A lista de pessoas indicadas por vários órgãos para compor o CNE tinha mais dezenas de nomes preteridos por Weintraub, como o educador Simon Schwartzman c Malvina Tuttman, ex-reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Weintraub teria entregue suas escolhasàCasaCivil.

`Nossa expectativa é de que se consiga reverter essa lista, porque se for mantida teremos dificuldades`, diz Mozart Neves, que é conselheiro atual do CNE. Ele afirma que p-ara o novo ministro conseguir `cicatrizar as inúmeras feridas deixadas por Weintraub` terá de montar a própria equipe, com o mesmo pensamento técnico que Decotelli demonstra. O amai presidente do CNE, Luiz Curi, elogiou a escolha. `Acho a indicação muito positiva, com trajetória bastante adequada ao cargo e ótimas referências.` Nos bastidores do Palácio do Planalto, a informação é de que pesou a favor de Decotelli o apoio do secretário especial de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha, hoje um dos auxiliares mais próximosde Bolsonaro. Ele também teve o apoio do ministro da Secrctaria-Gcral da Presidência,Jorge Oliveira, que trabalhou pela demissão de Weintraub. `É um claro sinal de espaço limitadodopresidente.quejáestá reciclando autoridades que ele mesmo demitiu porque não tem capacidade de atrair quadros para o seu governo`, diz o Diretor de Estratégia Política do Todos pela Educação, João Marcelo Borges. O Conselho Nacional de Secretários da Educação divulgou nota, iníòrmandoqueenquanto Decotelli esteve no FNDE manteve `bom canal de diálogo` c acredita na possibilidade de `contínua interação com o MEC`. Autodefinição `Eu sou um gestor de finanças e administração. Não tenho competência para fazer adequação ideológica.

` Carlos Alberto Decotelli NOVO MINISTRO DA EDUCAÇíO CRONOLOGIA 0 MEC na gestão Jair Bolsonaro 9 de janeiro de 2019

Um edital para a compra de livros didáticos é alterado e passa a permitir publicidade e a não exigir mais referências bibliográficas. 25 de fevereiro de 2019 0 MEC, sob comando de Ricardo Vélez Rodríguez, manda pa ra todas as escolas do País urr e-mail, pedindo que as crianças sejam perfiladas para oan tar o `Hino Nacional` e o momento seja gravado em vídeo t enviado para o governo. 20 de março de 2019 0 MEC cria uma comissão corr três pessoas para avaliar as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para `verificar a pertinência com a realidade social`. 3 de abril de 2019 0 então ministro Vélez Rodríguez diz que haveria mudanças em livros didáticos para revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de 1964 e o regime militar. Cinco dias depois, Vélez é demitido. 30 de abril de 2019 0 então ministro Abraham Weintraub diz que `universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas`. Posteriormente, o MEC recuou. 26 de novembro de 2019 Uma radiografia realizada no MEC por uma comissão da Câmara inciica parausia ramo no planejamento quanto na exeoução de políticas públicas por parte da pasta comandada por Weintraub. 20 de janeiro de 2020 Depois de anunciar que havia feito `o melhor Enem da história`, o MEC tem de lidar com falhas em notas de estudante e atraso no Sisu. 20 de maio de 2020 Após sofrer pressão do Congresso e de estudantes, Weintraub decide adiar o Enem por causa da pandemia do novo coronavírus. 18 de junho de 2020 Depois de 14 meses â frente da pasta e após insultos aos ministros do Supremo Tribunal Federal, Weintraub deixa o MEC. Contratos feitos por Decotelli são investigados

Carlos Alberto Dccotclli da Silva foi responsável por contratações do FNDE que, posteriormente, passaram a ser alvo de órgãos decontrole. Entre os negócios que estão na mira do Tribunal de Contas da União (T- CU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) está um acordo de R§ 426,8 milhões assinado cm fevereiro dc 2019 com uma empresa para fornecerkirs escolares a estudantes. A Brink Mobil e seu proprietário, ValdemarAbila, acumulavam suspeitas de irregularidades quando fecharam o negócio. Como o Estadão revelou em março, a equipe de Decotelli chegou a ser alertada, por empresas concorrentes, sobre o histórico da Brink Mobil. Na ocasião, ela já era alvo do Ministério Público no Rio e em São Paulo por suspeita de fraudar licitações. Também havia apuração no Tribunal de Contas da Paraíba. Os casos resultaram em denúncia no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel. O Ministério Público Federal opinou pela condenação da empresa no mês passado. O processo está em fase final. Meses depois dc firmar o contrato com o FNDE, a Brink foi acusada, cm outubro dc 2019. de envolvimento em um esquema que desviou R§ 134,2 milhões dc dinheiro público da saúde e da educação na Paraíba. O dono da empresa chegou a ser preso no fim de 2019. O Estadão também revelou, em março, que o TCU chegou a apontar diversas irregularidades no pregão do FNDE que resultou na contratação da Brink Mobil. Dentre elas, a Corte de contas concluiu que o fia ndo pagou valor acima do de mercado. Por isso emitiu recomendação para o FNDE ajustar valores e não repetir os erros. Após as reportagens sobre as irregularidades envolvendo a Brink, o TCU abriu um procedimento específico para analisar a contratação, enquanto a CGU iniciou uma auditoria. Os procedimentos ainda não foram concluídos. OMEC tem afirmado queo processo para a comprados kits respeitou a legislação c, na fase de habilitação, a Brink Mobil estava em condição regular. Foi nagestão de Decotelli ainda que o FNDE também lançou um edital dc RS 3 bilhões para comprar notebooks, mas que acabou suspenso após a CGU apontai´ irregularidades. Segundo o órgão de controle, em algumas localidades a quantidade de equipamentosque seriam adquiridos com dinheiro público superava o número de alunos que iriam receber. A CGU disse ^ à reportagem que as recomcn- 1 dações feitas na ocasião conti- ã nuam sendo acompanhadas. O Ministério Público junto ao g TCU fezuma representação em | que pede a apuração de irregula- I ridades no pregão. Procurado, Decotelli disse s que os contratos questionados | estão relacionados a processos abertos em 2018, nagestão anterior, e o FNDEjádeu esclarecimentos. `Foi tudo cancelado e desativado`, disse. Com o presidente. Anuncio foi adiantado pelo ´Estadão´ e escolhido prometeu aplicar ciência e gestão. Espera-se uma maior interlocução com os Estados

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