Bolsonaro adota tom conciliatório e ressalta ‘convergências’ no Mercosul

Bolsonaro adota tom conciliatório e ressalta ‘convergências’ no Mercosul

“O sucesso do Mercosul neste semestre não pode ser medido na quantidade de normas ou acordos concluídos, mas pela resiliência dos nossos governos em salvar vidas e proteger as nossas economias", afirma presidente brasileiro

O presidente Jair Bolsonaro resolveu colocar as diferenças de lado e adotou um discurso de conciliação com os sócios do Mercosul, nesta quarta-feira, durante a reunião de cúpula semestral do bloco.

Destacando o "alinhamento de visões" entre os quatro países do Mercosul e desejando "votos de êxito" ao argentino Alberto Fernández, que assume a presidência rotativa do bloco pelos próximos seis meses e não havia sido citado nominalmente pelo brasileiro em ocasiões anteriores, Bolsonaro destacou como os governos da região conseguiram atuar com "flexibilidade e pragmatismo" para fazer com que pontos de convergência superassem discordâncias.

"Manifesto meu reconhecimento pelo espírito pró-ativo dos Estados-partes na condução do Mercosul e fico contente ao constatar o alinhamento de visões entre nossos países nessa empreitada", disse Bolsonaro na cúpula, que ocorre em formato virtual, por causa da pandemia.

Em um período sem grandes conquistas na agenda interna ou externa do bloco, o presidente brasileiro ponderou que “o sucesso do Mercosul neste semestre não pode ser medido na quantidade de normas ou acordos concluídos, mas pela resiliência dos nossos governos em salvar vidas e proteger as nossas economias.”

Em mais de uma ocasião no discurso que fez, ao lado dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Paulo Guedes (Economia), Bolsonaro falou em "deixar de lado as discordâncias" e sobre como considera o Mercosul "um aliado na promoção da agenda de reformas estruturais que estamos promovendo no Brasil", com abertura comercial e inserção competitiva no mundo.

Para ele, o bloco tem contribuído para "facilitar os esforços internacionais de combate à pandemia", permitindo a adoção de medidas necessárias para a importação de insumos médicos e redirecionando recursos do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) para questões sanitárias.

Bolsonaro ainda fez questão de "registrar preocupação com o ressurgimento de entraves pontuais" ao comércio entre os países do bloco, sem especificar de que tipo de barreira estava tratando, mas trata-se de uma provável referência aos atrasos nas licenças não automáticas de importação do governo argentino. Exportadores brasileiros de calçados se queixaram publicamente, na semana passada, de prejuízo com a demora do país vizinho em liberar o fluxo de mercadorias.

No entanto, após conversa por videoconferência com Fernández no fim de novembro — primeira vez em que os dois se falaram —, Bolsonaro foi cordial e conciliatório. "Faço votos de êxito ao presidente Alberto Fernández [na condução do Mercosul]. Contem com a nossa disposição para manter o alto nível de diálogo regional", afirmou.

Por Daniel Rittner e Matheus Schuch

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