Bolsa fecha acima de 100 mil pontos pela primeira vez

Bolsa fecha acima de 100 mil pontos pela primeira vez

19/06 - 17:15 - Índice havia atingido máxima por duas vezes em março

Júlia Moura - Tássia Kastner

SÃO PAULO - A Bolsa brasileira fechou acima dos 100 mil nesta quarta-feira (19) pela primeira vez na história. O recorde foi atingido quase três meses depois de o índice atingir pela primeira vez a marca histórica. O índice subiu 0,90%, a 100.303 pontos. O volume financeiro foi de R$ 15 bilhões, que pode ser considerado elevado para uma véspera de feriado.

O ânimo dos investidores desta quarta foi impulsionado pela divulgação da ata do Fed (banco central americano), que optou por manter a taxa básica de juros entre 2,50% e 2,25% ao ano, com indicação de que deve cortar o juro na próxima reunião.

A decisão, no entanto, não foi unânime. James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, votou por um corte de 0,25% na taxa. O anúncio veio de acordo com a expectativa de investidores, que aguardam cortes neste ano.

O parecer do banco central americano fortalece a expectativa de queda da taxa Selic. Nesta quarta, às 18h, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulga a decisão sobre manter ou altarar a taxa básica de juros brasileira.

Desde que bateu recorde, a Bolsa refletiu a desconfiança de investidores com o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Havia o questionamento de sua capacidade de aprovar reformas, sendo a crucial a da Previdência. No pior momento do ano, em maio, chegou a perder os 90 mil pontos. Ficou, porém, na maior parte do tempo orbitando ao redor dos 95 mil pontos.

Já a onda de otimismo recente é explicada por analistas por vitórias do governo no Congresso, que preferiu ignorar o ruído causado pela divulgação de mensagens atribuídas ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e ao coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Na semana passada, uma negociação do executivo com parlamentares liberou verbas para Educação, condição para que o Congresso aprovasse recursos extras ao governo. Foi um sinal concreto de alguma disposição do governo Bolsonaro a negociar com o Poder Legislativo.

Isso se soma ao compromisso do Congresso, em especial, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em aprovar a reforma da Previdência. Na quinta-feira (13), o relator do projeto na comissão especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentou o seu parecer com uma economia prevista de R$ 1,13 trilhão em dez anos. O valor supera as expectativas do mercado, que esperava um projeto entre R$ 700 bilhões e 800 bilhões.

Apesar de fazer concessões em pontos polêmicos para conquistar apoio na Câmara, o deputado Samuel Moreira manteve em seu  relatório na comissão especial o eixo central da reforma da Previdência apresentada pelo governo Jair Bolsonaro.

Pilares como a idade mínima para se aposentar, fórmula de cálculo para obtenção de benefício e uma transição em dez anos, mas com variadas regras sem atingir um grande número de trabalhadores, estão preservados.

Isso tem sido suficiente para animar o mercado, apesar de um primeiro sinal de que estados e municípios ficarão de fora da reforma.

Não foi a única notícia positiva a animar investidores: Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e Petrobras fecharam um acordo para que a estatal venda refinarias, decisão que se soma ao aval do STF (Supremo Tribunal Federal) para a venda de subsidiárias de estatais mesmo sem apoio do Congresso.

A decisão é importante para o projeto de desestatização do governo Bolsonaro.

Ainda que investidores preguem o cenário doméstico como motivo para a valorização do Ibovespa, o ambiente externo tem ajudado o país. As Bolsas estrangeiras se firmaram no positivo após o acordo fechado entre Estados Unidos e México e expectativa de entendimento entre os americanos e chineses.

À espera do fim da guerra comercial e de um corte de juros, os índices americanos se aproximam de seus recordes históricos.

Neste cenário, as moedas emergentes têm se valorizado ante o dólar, a exemplo do que ocorre com o real. A moeda americana é cotada em queda de 0,44%, a R$ 3,844.

 

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino