Bloco fala em sensibilidade política e prevê intensificação nas discussões com país

Bloco fala em sensibilidade política e prevê intensificação nas discussões com país

País é o principal fornecedor europeu de três das seis commodities alvejadas por iniciativa

A União Europeia (UE) diz que o desmatamento vinculado a relevantes commodities cobertas por sua iniciativa anunciada ontem tem sido documentado no Brasil, na Argentina e no Paraguai, numa sinalização do impacto sobre esses países.

Bruxelas prevê que a “visibilidade e sensibilidade política” de sua iniciativa para barrar importações de várias commodities provenientes de terras desmatadas exigirá a intensificação de discussões bilaterais com o Brasil e outros parceiros.

A UE mostrou em documento publicado ontem que o Brasil é o principal fornecedor europeu de três das seis commodities alvejadas. No período de 2015-2019, o Brasil forneceu 39% da soja importada pelo bloco europeu, vindo em seguida a Argentina com 23% e os Estados Unidos com 20%. O país é também o maior fornecedor de café, com 30% do total importado, seguido pelo Vietnã com 23%.

No caso de carne bovina, o Brasil foi também o principal fornecedor com 21% do que o bloco
europeu comprou, seguido do Reino Unido com 20%.

O Brasil forneceu 9% da madeira importada pela UE, só atrás da Rússia, de Belarus e da Noruega. O país não está entre os principais fornecedores de cacau e óleo de palma.

A UE nota que a regulação proposta afetará setores que são essenciais para a economia de vários países. No caso de soja, diz que a commodity é particularmente importante para o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

No caso da carne bovina, a UE observa que dois terços do produto exportado pelo Brasil é tratado por três grandes frigoríficos, enquanto o gado no país é criado por 2,5 milhões de pecuaristas. E que nenhum dos três atualmente monitora seus fornecedores indiretos (a maior parte de sua cadeia de fornecimento).

Bruxelas admite que haverá custos adicionais para produtores onde o sistema de rastreabilidade estiver faltando.

Nota também que no passado, no caso de madeira, um programa europeu de checagem levou parceiros como Brasil, Rússia e Ucrânia a reforçarem seus sistemas de governança da floresta e reduzirem corte ilegal para cumprir exigências europeias.

Para o Brasil, existe o risco de deslocação de cadeias de produção e perda de espaço no mercado europeu. Operadores europeus poderão querer comprar mais de países com riscos menores de desmatamento, o que atenua seus custos para comprovar que a mercadoria se enquadrará nas regras europeias.

Ao mesmo tempo, como nota Emily Rees, especialista de comércio internacional, pode haver também efeito positivo para cadeias brasileiras como café, cacau e óleo de palma, menos visadas por questões de desmatamento.

E, ao contrário de vários exportadores agrícolas, o Brasil tem um bom serviço de imagem de satélites. A avaliação é de que isso em todo o caso vai favorecer os grandes produtores, com profissionais para apresentar seus planos de conformidade com as regras, enquanto pequenos agricultores terão as dificuldades de sempre.

Não há distinção entre desmatamento legal e ilegal na proposta europeia. Se essa situação for mantida numa futura lei, um contencioso parece inevitável na Organização Mundial do Comércio, com o Brasil podendo questionar a medida europeia.

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