Biden torce pelo fim de Netanyahu em Israel

Biden torce pelo fim de Netanyahu em Israel

17:32 - As relações entre Joe Biden e Israel devem melhorar imediatamente caso a oposição a Netanyahu consiga formar uma coalizão de governo até esta quarta-feira, colocando um fim a 12 anos seguidos de governo de um premier israelense claramente hostil ao Partido Democrata e à parcela liberal da comunidade judaica americana, majoritária entre os judeus dos EUA.

Historicamente, os democratas são pró-Israel nos EUA e os judeus americanos votaram nos candidatos democratas ao longo de todo o último século, initerruptamente. Biden, assim como Hillary, massacrou Trump entre o eleitorado judaico. Os republicanos também sempre mantiveram uma postura favorável aos israelenses, embora alguns líderes como George H.W. Bush, o pai, tenha sido mais duro com Israel do que outros governantes.

Barack Obama não foi diferente de outros presidentes e políticos democratas. Desde o início, se posicionou favoravelmente a Israel. Inclusive, é em parte responsável pelo escudo protetor de israelense que consegue abater foguetes lançados pelo Hamas. Assim como outros líderes americanos, a noção de Obama de ser pró-Israel é o da solução de dois Estados, com a criação de um Estado palestino. Netanyahu, porém, sempre fez de tudo para sabotar esta ideia, adotando políticas contrárias a uma Palestina independente, irritando o então presidente americano.

O que agravou ainda mais as relações entre os dois foi a questão nuclear iraniana. Obama arquitetou um plano de intensificação de sanções ao regime iraniano no Conselho de Segurança da ONU, trabalhando junto com a China e a Rússia, com o objetivo de forçar Teerã a negociações. Obteve enorme sucesso e, em 2015, assinou com o Irã e as outras potências (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) um acordo nuclear, conhecido pela sigla JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global, em inglês).

Netanyahu, por sua vez, trabalhou para impedir este acordo. Poderia sim ser contrário usando os argumentos de que o JCPOA seria imperfeito. Nada impediria, como não impediu, de o premier expressar para Obama as suas posições. O problema é que o primeiro-ministro humilhou o presidente americano, indo ao Congresso em Washington, convidado pelo opositor Partido Republicano, para atacar Obama e o seu plano, em uma clara afronta aos EUA.

Os democratas nunca esqueceram este episódio. Tampouco esquecem que Netanyahu apoiou abertamente Mitt Romney nas eleições de 2012, assim como Donald Trump em 2016 e 2020. O bipartidarismo favorável a Israel foi rompido, ao menos com Netanyahu no poder. Pesa também a chegada ao Congresso de lideranças políticas mais críticas das ações israelenses e mais favoráveis aos palestinos.

Biden, um dos políticos mais genuinamente pró-Israel dos EUA, tem dificuldades para defender ações israelenses em Gaza em parte porque Netanyahu, com uma imagem ruim internacionalmente, governa Israel. Além disso, o atual premier voltou a sabotar as iniciativas americanas para retornar ao JCPOA.

Sem Netanyahu e com um governo novo e fragmentado, Biden terá mais facilidade para dialogar com os israelenses em uma série de temas. Pode voltar a reconstruir uma aliança, especialmente se em algum momento o centrista Yair Lapid, que possui uma linha similar à de Macron, assumir o cargo de premier. Antes, porém, Naftali Benett deve ser o primeiro-ministro, mas sem muita força. Sem dúvida, está à direita do já direitista Netanyahu e é contra um Estado palestino. Não terá, no entanto, poder para implementar suas políticas extremistas porque seu partido será minoritário em uma coalizão que deve incluir partidos de esquerda pró-paz, como o Meretz e o Trabalhista, além possivelmente uma agremiação árabe.

O objetivo do novo governo, se aprovado, será apenas se livrar de Netanyahu. E este também é o objetivo de Biden. Sempre, claro, mantendo a cautela. Afinal Netanyahu, ou Bibi, como é conhecido, fará de tudo para destruir quem se colocar contra ele.

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