Biden quer ser 'parceiro' do Brasil no meio ambiente, diz embaixador após reunião com Mourão

Biden quer ser 'parceiro' do Brasil no meio ambiente, diz embaixador após reunião com Mourão

18:55 - Vice-presidente apresentou informações sobre trabalho do Conselho da Amazônia e disse que diálogo foi 'muito bom'

O vice-presidente Hamilton Mourão recebeu nesta sexta-feira o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, para tratar da preservação do meio ambiente, em especial a Amazônia. Foi o primeiro encontro dos dois desde a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que está dando ênfase ao combate às mudanças climáticas, em uma guinada em relação à política do ex-presidente Donalt Trump.

Chapman ressaltou a importância que Biden tem dado ao tema e disse que o país quer ser "parceiro" do Brasil:

— Falamos sobre muitos temas, mas claro, muitos temas relacionados ao meio ambiente. Realmente a administração do meu novo presidente, Biden, está enfatizando muito a importância da mudança climática. Nós queremos ser bons parceiros do Brasil nisso, como já estamos trabalhando muito. Foi excelente a conversa e vamos continuar falando.

O embaixador ressaltou a indicação do ex-secretário de Estado e ex-senador John Kerry como representante presidencial para mudanças climáticas e disse que houve um aumento no interesse pela área:

— Vamos aumentar nosso interesse de trabalhar com o Brasil na área de mudança climática. Temos um novo representante presidencial, o secretário John Kerry. Temos muita atenção a esse tema e queremos trabalhar em conjunto com o Brasil nisso.

Mourão, que também é presidente do Conselho da Amazônia, afirmou que o objetivo foi mostrar o trabalho que está sendo feito:

— Queremos mostrar o que estamos fazendo, abrindo este diálogo, via embaixada, e deixar claro que as informações todas que forem necessárias nós temos condições de mostrar, para ouvir a realidade que está acontecendo lá. Foi um diálogo muito bom.

O vice-presidente disse que ficou combinado que será feita uma apresentação em inglês com os resultados da próxima reunião do Conselho da Amazônia e que Chapman auxiliará na divulgação.

Recentemente, um dossiê pedindo que o governo americano suspenda a importação de madeira, soja e carne que estejam ligadas ao desmatamento no Brasi foi entregue a Juan González, diretor sênior para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional, órgão ligado à Casa Branca. O texto foi assinado por mais de cem acadêmicos e ativistas de ONGs.

A política ambiental do Brasil foi alvo de crítica de Biden durante a campanha eleitoral. No primeiro debate com o então presidente Donald Trump, em 30 de setembro, o então candidato democrata citou o Brasil ao mencionar o papel de liderança que os Estados Unidos deveriam assumir no tema.

— A Floresta Amazônica no Brasil está sendo destruída, arrancada. Mais gás carbônico é absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Eu tentarei ter a certeza de fazer com que os países ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): "Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de devastar a floresta. Se você não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas — afirmou Biden, sem entrar em detalhes sobre que consequências seriam essas.

Na época, Bolsonaro disse que o Brasil não aceitaria "subornos" e classificou a declaração como "lamentável". Depois, em um discurso inflamado durante evento no Palácio do Planalto dias após a eleição de Biden, em novembro passado, o presidente brasileiro fez uma menção indireta ao democrata, sem citá-lo nominalmente, e disse que a diplomacia não é suficiente para "fazer frente a tudo isso".

Ele lembrou que "um grande candidato a chefe de Estado" disse recentemente que iria impor barreiras comerciais contra o Brasil se ele não apagasse os incêndios na Amazônia. E disse que é necessário ter pólvora para defender a região, ainda que não seja usada.

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