BC vê crescimento pior que mercado em2020

BC vê crescimento pior que mercado em2020

Política monetária. Avaliação é que processo de recuperação da atividade foi retomado, mas será gradual

O Banco Central informou ontem que projeta crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2020. `Ainda com elevado grau de incerteza`, o número é inferior ao projetado pelo Ministério da Economia, que trabalha com 2,2%, e que a média do mercado, de 2%. `Ressalte-se que essa perspectiva está condicionada ao cenário de continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira e pressupõe que o ritmo de crescimento subjacente da economia, que exclui os efeitos de estímulos temporários, será gradual`, afirmou o BC no relatório trimestral de inflação.

A autoridade monetária avaliou que o processo de recuperação da economia foi retomado, mas será gradual, com ligeira alta no terceiro trimestre e se intensificando a partir dos três meses finais de 2019. A projeção para este ano subiu de 0,8% paia 0,9% de crescimento, mantendo-se alinhada com o mercado. A discreta melhora reflete a liberação de recursos do FGTS e do PIS/Pasep, que terá impacto maior no nível de atividade do último trimestre deste ano.

O documento divulgado ontem apontou que o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IP- CA), em todos os cenários analisados e explicitados, deve ser inferior a 4% ao ano e ficar abaixo das metas fixadas para este ano e também para 2020e 2021. Foram divulgadas pela primeira vez as estimativas para a inflação de 2022, que tem meta de 3,5%. Nesse caso, todos os cenários para o 1PCA ficaram um pouco acima do alvo central. Os anos de 2021 e 2022 estão fora do alvo da política monetária nesse momento. O BC apontou que a inflação corrente mostra-se confortável, inclusive analisando-se os seus núcleos, Mas reforçou que seu cenário básico envolve riscos em ambas as direções para a evolução do IP- CA. De um lado, o nível de ociosidade elevado na economia favorece inflação baixa. De outro, uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas nos ajustes na economia brasileira poderia afetar prêmios de risco e elevara trajetória da inflação`.

`O risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes`, completa o BC, que, contudo, reforçou sua mensagem de que `a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural`.

O BC reconhece, entretanto, que o processo de reformas e ajustes tem avançado e defende a perseverança nesse caminho. `O comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva`, diz o BC, sinalizando nova queda dejuros.

Em relação ao crescimento econômico, o BC destacou a resiliência do consumo das famílias, que registrou o décimo crescimento consecutivo. Também destaca que a formação bruta de capital fixo (FBCF) vol toua crescer, recuperando-se da queda nos últimos dois trimestres`. `A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego`, disse.

Em relação ao cenário externo, a autoridade apontou que os estímulos monetários nas grandes economias têm sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. `Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem`, informou o relatório.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o mais importante na previsão de crescimento de 1,8% para 2020 é a sua composição, com mais presença privada do que com estímulos do setor público, como ocorreu no passado. Ao ser questionado sobre se, com a elevada ociosidade e uma previsão de crescimento ainda abaixo do potencial, não caberia uma política ainda mais estimulativa, Campos respon deu: `Cumprir nossa missão de manter a inflação na meta é a melhor forma de contribuir para o crescimento. O melhor canal de crescimento é manter ancoradas as expectativas`, disse.

Segundo ele, a credibilidade do BC contribuiu para reduzir as partes curta e longa da curva dejuros, `que é grande forma de incentivar o crescimento econômico`.

No relatório, houve também revisão das projeções para o crédito. Para 2019, a expectativa de expansão do estoque total caiu de 6,5% para 5,7%. A revisão Foi puxada pela menor expectativa para ocrêdito a pessoas jurídicas (cle2,5% para -0,9%), parcialmente compensada pelo aumento na expansão esperada para pessoas físicas (de 9,7% para 11,0%).

O BC espera que a carteira de crédito com recursos livres, de alta de 10% para 12% e com recursos direcionados de recuo de 0,7% para queda de 1,8%. Para 2020, o BC informou que projeta expansão de 8,1% no total de empréstimos. Para as empresas, a expectativa é de alta de 3,8% e para as famílias, de 11,2%.

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