BC pode parar de reduzir a Selic antes de chegar ao "zero lower bound"

BC pode parar de reduzir a Selic antes de chegar ao "zero lower bound"

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem, discute um limite para a queda da meta da taxa Selic mesmo antes de os juros caírem a zero, o chamado `zero lower bound`. Como definir esse limite?

Para um especialista em política monetária, o Banco Central vê o que ele chama de `twilight zone` para a taxa de juros. Ou seja, um patamar em que, caindo os juros abaixo dele, pode-se gerar instabilidade com repercussões imprevisíveis e perigosas sobre os preços dos ativos financeiros, atividade e inflação.

Seria algo bem diferente do `zero lower bound`, ou o limite que as economias geralmente desenvolvidas se defrontam quando os juros chegam na vizinhança de zero. Nessas circunstâncias, não há muito espaço adicional para cortar mais os juros para estimular a economia.

É possível levar os juros para o terreno negativo (alguns países fizeram isso), mas com moderação. Isso porque há um ativo, o dinheiro em espécie, que rende zero, algo que é melhor do que um ativo que promete devolver menos do que o valor investido.

O `zero lower bound` parece ser uma doença de países ricos, já que o Banco Central brasileiro se refere a um outro limite à queda de juros que se aplica antes a países emergentes, devido à existência de prêmios de risco. No Brasil, em especial, esse limite seria mais alto em decorrência da fragilidade fiscal e das incertezas sobre a continuidade do ajuste das contas públicas.

Mesmo dentro do Copom, porém, esse debate não parece pacificado. Há um membro solitário do colegiado que acredita que não existe essa `twilight zone`. Para ele, os juros podem seguir caindo, ainda que, quando chegar a patamares mais baixos, possa se intensificar o impacto nos preços dos ativos. Ou seja, a resposta do dólar a quedas de juros se intensificaria à medida que a Selic testa patamares mais baixos, mas de uma maneira mais ou menos previsível. Assim, o Banco Central não se afundaria num pântano com conseqüências perigosas.

Do ponto de vista prático, o Banco Central está dizendo que não vai avançar para esse território assustador? Aparentemente, por enquanto não há um limite rígido. O que a ata do Copom destaca, apenas, é a `importância do gradualismo na condução da política monetária para a avaliação da resposta dos preços de ativos financeiros`.

Ou seja, parece haver a disposição de testar, com cuidado, o terreno para baixar a taxa de juros. Nesse processo, o Banco Central vai avaliar se o entendimento da maioria dos membros do Copom é a mais acertada ou se, ao contrário, a opinião solitária dentro do colegiado está com a razão.

Note que, nas duas visões, o espaço para baixa de juros é bem menor. Isso significa que as chances de a taxa básica cair abaixo de 2%são menores.

O especialista em política monetária ou vido diz que a ` twiligh t zone`, se de fato existir, afasta o país da `zero lower bound`. A taxa de juros neutra, nesse ambiente do `twilight zone`, tende a ser mais alta, o que reduz a chance de a meta da taxa Selic ser baixada até a `zero lower bound`.

Embora essa `twilight zone` e o chamado `zero lower bound` sejam coisa diferentes, estamos discutindo limites para a política monetária convencionai. Quando se avança nesse terreno, o tema que se coloca é se o Banco Central terá que lançar mão de instrumentos não convencionais de estímulos, como aexpansão quantitativa(QE, na sigla em inglês).

É bom lembrar que o BC ganhou poderes especiais do Congresso para esse tipo de operação. E o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem falado muito sobre imprimir dinheiro quando os juros chegarem a zero. Em tese, o BC poderia decidir lançar mão mais cedo de políticas não convencionais justamente para evitar se afundar no pântano da `twilight zone`.

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