Baixo crescimento e gasto público elevado dificultam cenário do Brasil, diz S&P

Baixo crescimento e gasto público elevado dificultam cenário do Brasil, diz S&P

ENTREVISTA - Na avaliação da agência de risco, há airida entraves políticos, como a falta de apoio do governo no Congresso, que pode atrasar reformas

Quatro anos após retirar o selo de bom pagador do Brasil, a agência de classificação de risco S&P Global Rating s (antiga Standard & Poor´s) avalia que os quase dez meses dagestão de J air Bolsonaro ecoministro Paulo Guedes (Economia) não possibilitam uma melhora de visão sobre a nota do pais.

`O q ue vim os até agora é coerente com uma perspectiva estável`, diz à Folha Lívia Honsel, analista principal da S&P para o rating do Brasil.

A agência, primeira a retirar o graude investimento do país em 2015, deve publicai- nos próximos meses um novo relatório com a nota brasileira.

O Brasil conquistou o grau de investimento em2008,no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Perdeu cerca de sete anos depois, no governo Dílma Rousseff (PT), emmeío à deterioração fiscal.

Hoje, o país tem nota BB- (três degraus abaixo do selo de bom pagador).

Honsel diz que a melhora da nota depende de medidas para reduza o déficit e estimular o crescimento de longo prazo. Mas há dific uldades paraa continuidade da agenda, em especial no Congresso.

`A reforma da Previdência tinha um consenso relevante na opinião pública e ainda não foi completamente aprovada. No caso da reforma tri butária ou da reforma das despesas não nos surpreenderia se tambémfosse [um processo] lento`, diz.

A expansão do PIB em 202a é vista como um fator fundamental, 1:1111 > i para a melhora da nota como para o apoio p arlam entar à agenda ec onômica. `O Congressovaí apoiar as reformas se o crescimento acelerar no ano que vem`, diz.

Perspectiva do Brasil

O que vimos até agora é coerente com um outlook [uma perspectiva] estável. O impacto da reforma da Previdência é quase nulo nos próximos anos, começando gradualmente a ter um efeito positivo.

Para uma melhora no rating, precisamos ver alguns fatores mais fortes do que esperamos no cenário-base. Isso poderia ocorrer por meio de uma redução mais rápida do déficit ou de uma aceleração mais rápida do PIB.

E, para isso acontecer, precisamos ver uma maior confiança do setor prívado, o que pode vir pela aprovação de reformas econômicas ou fiscais. Ritmo das reformas O risco de algum atraso na aprovação dessas reformas é importante, e isso é considerado dentro do nosso cenário-base. Sempre falamos que a aprovação de propostas mais controversas seria mais difícil para um governo que não tem uma base ampla no Congresso e [agora, ain da mais] para um presidente que perdeu aprovação rapidamente.

No governo Michel Temer nós baixamos a nota justamente porque pensamosque o atraso na aprovação da reforma daPrevidència evidenciava que Executivo e Legislativo estavam tendo dificuldades para encontrai um consenso. Continua sendoassim.

Próximas reformas

 Achamos [no começo do ano] que ia ser um pouco complicada a aprovação rápida dessas reformas. O que estamos vendo agora reflete essa opinião.

 A reforma da Previdência, que tinha um consenso relevante na opinião pública, ainda não foi completamente aprovada. É bastante tempo.

Pai a a reforma tributária e para a reforma dasdespesas, também não nos surp reenderia se [o processo] fosse lento. Haverá pautas controversas. A reforma tributária, a fiscal e as privatizações de empresas podem ser mais difíceis.

PIB determinando apoio

Tendo o governo uma base de apoio fraca no Congresso, o crescimento econômi co vai serum fator-chave para a aprovação das futuras refonnas. Os parlamentares vão continuar apoiando asreformas se o PIB acelerar no ano que vem. Estamos esperando 0,8% [para o PIB] neste ano e 2% no ano que vem.

É um nível baixo de crescimento para uma nota de duplo B, e isso é uma das fraquezas do rating. O crescimento é mais baixo que o de outros países com a mesma nota.

 Tanto para o rating como para a aprovação das reformas, a aceleração na economia ê muito importante.

Queda no crescimento

Foram vários fatores [que causaram deterioração do PIB em 2019]. Houve atraso na aprovação das reformas, com um impacto negativo na confiança dos investidores locais.

E também os fatores externos foram mais negativos do que pensávamos. Como a guerra comercial, a crise na Argentina e um crescimento mais lento na Europa. Tudo contoupara a revisão do PIB.

 Cessão onerosa

[Receitas não-recorrentes, como cessão onerosa] Podem ser positivas para melhorar o resultado fiscal no ano ou em 2020, mas isso ná o representa uma melhora estrutural da nossa avaliação fiscal para a dívida do Brasil.

Precisamos ver mais reformas estruturais paia melhoraro sistema tributário ou reduzir despesas obrigatórias.

 Liberação do FGTS

 Essa medida náo traz crescimento de longo prazo. Da mos valor para medidas estruturaísquepoderíam levar a uma melhora na perspectiva de crescimento de médio prazo e uma redução no déficit. Essa medida pode gerar crescimento no curto prazo, inas não é estrutural.

Pontos fracos e fortes

 As fraquezas do rating são o baixo crescimento econômico e, na parte fiscal, um alto déficit do governo que até agora não permitiu a estabilização do nível de dívida. Mas, por outro lado, vemos a parte monetária edascontas externas como sólida.

Grau de investimento

 O rating do Brasil foi baixando ao longo dosanoscom deterioraçãode vários indicadores. Para melhorá-lo,precisamos ver melhoras em diferentes setores, Não é um processo rápido. A melhora na parte fiscal e institucional leva um certo tempo e um ano de governo náo e suficiente.

Temos dever um `track record` [histórico] e observar como a parte institucional vai permitir a continuidade da evolução fiscal e da divida.

Lívia Honsel -  Principal analista da S&P Global Ratings para o Brasil. Formada em economia pela Universidade de Paris i, com mestrado em relações internacionais pela mesma instituição. Já trabalhou como analista financeira na embaixada da França no México e como economista no grupo financeiro mexicano Banorte.

“Poderemos elevar os ratingsnos próximos dois anos se a abrangência e profundidade nas políticas sugerirem unia mudança mais rápida do que atualmente esperamos nas trajetórias fiscais e de crescimento”

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