Baixa histórica em nível de rio atrasa comércio exterior do Paraguai

Baixa histórica em nível de rio atrasa comércio exterior do Paraguai

31/08 Transportadores de grãos estão utilizando metade da capacidade de carga; problema também ocorre na Argentina

As embarcações que transportam grãos e outros produtos pelo rio Paraguai na altura de Assunção estão utilizando metade de sua capacidade de carga devido ao baixo nível do rio, em meio a uma seca histórica que afeta o comércio fluvial em toda a região, afirmaram representantes do setor.

A seca reduziu drasticamente o nível do rio que nasce no Brasil, cruza o Paraguai e deságua no rio Paraná, no norte da Argentina.

Especialistas estimam que o fenômeno, iniciado há três anos, deve se prolongar pelo menos até 2022 no Paraguai, quarto maior exportador de soja do mundo. O problema também ocorre no escoamento de grãos da Argentina.

"A situação é crítica e delicada. Há uma grande proporção das embarcações que não está sendo utilizada, o que se traduz em um custo direto na hora de levar produtos ao Rio da Prata", disse à Reuters o presidente da câmara paraguaia de exportadores de cereais e oleaginosas, César Jure.

"No final do ano ainda teríamos um estoque de mercadorias para exportar, tanto para a indústria quanto para a soja em grãos. A nova safra terá que esperar em silos até que possamos liberar a antiga", acrescentou ele.

O diretor do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos do Paraguai, Juan Carlos Muñoz, disse que a seca fez com que o tempo de viagem ao Rio da Prata triplicasse.

"Todo o comércio está atrasado, tudo está atrasado. É um ano complicadíssimo, já que 96% do comércio exterior do Paraguai é feito pelo rio e isso implica um impacto muito grande na economia nacional", afirmou.

O plantio de soja, que começa no mês que vem, poderá ser afetado pela falta de fertilizantes, disse Muñoz. Jure, por sua vez, afirmou que a situação obrigou o setor a buscar alternativas de transporte terrestre a portos do Brasil para que os contratos fossem cumpridos.

O Paraguai, que produz aproximadamente 10 milhões de toneladas de soja por ano, possui uma frota de cerca de 3 mil embarcações que transportam a safra local e parte do que é produzido nas regiões de fronteira com Brasil e Bolívia por meio da hidrovia Paraguai-Paraná, até os portos do Rio da Prata.

Já as exportações da Argentina vêm sendo afetadas pela maior seca em mais de 70 anos do rio Paraná. As províncias de Formosa, Chaco, Corrientes, Santa Fe, Entre Ríos, Misiones e Buenos Aires estão em emergência hídrica até, pelo menos, o final de setembro.

A crise afeta, principalmente, o porto de Rosário, por onde costuma escoar 80% das exportações argentinas. A situação é ainda mais dolorosa porque o baque climático ocorre no momento em que o país vive um recorde na safra da soja.

No Brasil, a baixa histórica no nível das águas do rio Paraguai pode comprometer um investimento de cerca de R$ 6 milhões na reestruturação do Porto Fluvial de Cáceres, cidade do Mato Grosso que fica na fronteira com a Bolívia.

A estrutura estava desativada há mais de dez anos e foi reformada por meio de um termo de cooperação entre a Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat), ligada ao estado, e a Associação Pró-Hidrovia do Rio Paraguai (APH), formada por produtores da região.

O objetivo da obra é que o porto volte a servir para escoar boa parte da safra de grãos das regiões oeste e sudoeste do estado.

A previsão é que o porto entre em operação no início de 2022, período de safra e de cheia do rio, de acordo o presidente da APH, Vanderlei Reck Junio.

Mas o prazo pode ficar comprometido, a depender das chuvas esperadas a partir de outubro na região, quando se encerra o período da vazante. O receio é que o volume não seja suficiente para garantir a navegabilidade no rio, que forma com o Paraná uma das principais vias fluviais da América do Sul.

Uma das principais hidrovias do país, a Tietê-Paraná, que tem papel importante no escoamento de grãos do Centro-Oeste até o porto de Santos, também teve suas operações afetadas.

Com as águas mais baixas devido à seca sobre a bacia do rio Paraná, as barcaças que trafegam na hidrovia já não conseguem operar com plena capacidade.

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