Avanços e desafios marcam 2 meses de Fernández

Avanços e desafios marcam 2 meses de Fernández

Na próxima quarta (12), o chanceler da Argentina, Felipe Solá, viajará a Brasília para se reunir com seu homólogo Ernesto Araú jo. A expectativa da Argentina é que, daí, saia uma data para um primeiro encontro entre os dois mandatários.

Nesta segundafeira (10), o presidente argentino, Alberto Fernández, 6o, chega ao segundo mês de governo com avanços na politica exterior, na contenção das manifestações sociais e com boa aprovação popular (59%), segundo o instituto Opinaia. E a mesma cifra ob tida por seu antecessor, Maurício Macri, no mesmo período de sua gestão.

O índice de popularidade é importante porque, nos pri meiros dois meses, Macri não lançou um pacote de aumento de impostos, como fez Fernández.Agora,os argentinos pagam 30% a mais para compras no exterior ou com cartão de crédito (se o gasto for por meio de sites estrangeiros) e na compra de dólares, restrita a USS 200 ao mês. Além disso, há novos tribu tos para exportadores e transferências de propriedades.

As dificuldades de Fernández, porém, vêm ganhando mais espaço nos noticiários, à medida que a euforia da vitória e a tradicional trégua dada pelos meios de comunicação ao primeiro mês de todos os governos vão deixandodeexistir.

Entre os desafios há a atração de investidores, o retorno de vários tipos de câmbio (há maisde 10 valores atualmente) e as dívidas externa e interna.

Isso sem contar a inflação e 0 índice de pobreza, que em janeiro ficaram em 3% e36%, respectivamente.

Nocasodas dívidas, o mínis troda Economia,Martin Guzmán, iniciou na semana passada a negociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e comseus credoresinternos. Continuará nesta semana, com a chegada de uni comitê do fundo ao país para tratai´ de temas técnicos.

Hoje, a dívida totalargentina corresponde a 96% de seu PIB (Produto Interno Bruto), e Fernández tem repetido que os adiamentos dos prazos de vencimento são prioritários, poiso paísprecisa de `tempo para crescer primeiro epagar a dívida depois`.

No entanto, ele tem recebido críticas por não ter mostrado ainda um plano para retomai` o crescimento. `As medidas de contenção aos mais pobres, os congelamentos e os aumentos dos impostos aos mais ricos não garantem crescimento, apenas contêm a explosão social` diz o economista] uan Carlos de Pablo.

Do lado dosavanços da gestão Fernández, o principal é a relativa calma social que vive o país, sem protestos de ruas, piquetes ou greves.

`É como se, num jogo de futebol muito tenso em que nós estivéssemos perdendo, tivéssemos conseguido colocar a bola no chão e ter calma para poder enfrentar as próximas jogadas`, disse o economista Martin Tetaz.

O peso deixou de se desvalorizar, e as medidas do governo para aplacar o impacto da alta inflação que fechou 2019 com alta de 55% estão tendo resultado para conter a insatisfação popular.

O governo lançou planos de ajuda aos mais pobres, in cluindo um `carne de alimen tação que pode ser tr ocado por alimentos da cesta básica, e aumentou o número de produtos que entraram para o plano `Preços Cuidados`, que vigia e impede aumentos abusivos de mais de íoo itens.

Alémdisso, foram congelados os preços de serviços de eletricidade, gás e transporte.

Os problemas de fundo continuam existindo. Por isso, esta semana será muito importante para o governo. Além de receber o FMI, Guzmán vai ao Congresso detalhar o que está sendo negociado.

O novo ano legislativo começa em março, e o governo pretendeanunciarcomo será a reforma da Justiça e o cronograma para votação deum novo projeto de lei pai a legalizar o aborto até a 14a semana, uma promessa de campanha de Fernández.

Na diplomacia, líder corteja Europa e quer reatar com o Brasil Outro dos grandes desafios a partír deste terceiro mês é relançar a relação com o Brasil, abalada com os comentários e insultos entre Fernández e Jair Bolsonaro, desde a época da cartlpanha eleito ral e da vitória do kirchnerísta. O presidente brasileiro não compareceu ã posse do colega, o que causou incômodo.

Agora, a palavra com a qual os dois lados concordaram para definir como será a relação adiante é pragmatismo.

`Já estamo s avançando neste aspecto, há ministros dos dois lados se comunicando, e tenho feito um trabalho de explicar a los distintos setores da sociedade brasileira que vamos resolver a crise da dívida e voltaremos a crescer`, disse ã Folhao embaixador argentino em Brasília, Daniel Scioli.

`O presidente Fernández disse que precisa de tempo para que retomemos o crescimento, mas a relação com o Brasil não pode parar, o comércio bilateral é prioridade, assim como o turismo, e ambos precisam crescer mais`, afirmou Scioli, quena semana passada esteve em São Paulo e se encontrou com empresários, investidores e com Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Na próxima quarta (12), o chanceler da Argentina, Felipe Solá, viajará a Brasília para se reunir com seu homólogo Ernesto Araújo. A expectativa da Argentina é que, daí, saia uma data para um primeiro encontro entre os dois mandatários.

Sob Fernández, as relações exteriores têm sido conduzidas de modo diferente do período de Néstor e Cristina Kirchner (hoje vice-presidente), no qual praticamentenão se deu importância para as relações com EUA e Europa.

O presidente acaba de retomar de uma viagem avaliada com o positiva po ranalista s locais por Israel, Itália, Espanlia, Alemanha e França.

De Angela Merkel, Emmanuel Macron e do papa Francisco, recebeu apoio para a renegociação com o FMI. E de muitos empresários desses países, promessas de investimentos na Argentina

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