Avanço da Covid-19 acende alerta entre produtores de carne

Avanço da Covid-19 acende alerta entre produtores de carne

Setor afirma que medidas para proteger funcionários estão sendo implantadas. Exportações devem avançar em 2020

Especialistas consultados pelo GLOBO afirmam que não só no Brasil, mas em países como EUA e Alemanha, a atividade apresentou número elevado de infectados por conta do ambiente de trabalho considerado de risco para a disseminação da doença.

Todo ambiente fechado, mal ventilado e onde as pessoas trabalham muito próximas tem maior risco e os frigoríficos estão nessa categoria afirmou Rosana Richtmann, médica Infectologista do instituto de Infectologia Emilio Ribas, de São Paulo. A gerente adjunta do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho nos Frigoríficos do MPT, procuradora Priscila Dibi Schvarcz, disse que já era previsível que fossem detectados surtos de Covid-19 nessas unidades. Normas sanitárias existentes nos frigoríficos se destinam a proteger os produtos de contaminação, não as pessoas. Expedimos recomendações para tentar evitar esse surtos, mas houve pouca adesão das empresas disse. Mesmo com toda a pressão, as ações tomadas pelas autoridades não afetaram, até o momento, os resultados das empresas.

O setor caminha para um ano forte. Segundo dados da ABPA, a exportação de carne de frango pode crescer este ano de 3% a 5% frente ao ano passado. No caso de suínos, o cenário é ainda melhor: o avanço esperado varia de 27% a 33%, influenciado pelos problemas enfrentados pelos produtores de carne suína na China. No caso da carne bovina, o segmento projeta um avanço de 5% nas vendas ao exterior neste ano frente 2019. O consultor Welber Barrai, da BMJ Consultores, especializado em comércio internacional e relações governamentais, lembra que a cadeia de proteína animal no Brasil é muito descentralizada, ao contrário da americana, onde poucos estados e frigoríficos concentram grande parte do suprimento do país. A atividade tem peso econômico importante e só no primeiro semestre do ano movimentou US$ 8 bilhões em vendas ao exterior.

O Brasil exporta para mais de 160 países e é líder em venda de carne bovina no mundo. No caso de suínos, as exportações realizadas somente para a China na primeira metade do ano tiveram um crescimento de 150%, embaladas pela peste suína que afetou o rebanho chinês no ano passado. Apesar de a China ter suspendido as importações de poucos frigoríficos, não há no horizonte evento que possa impactar negativamente o setor. O dólar continua valorizado e as exportações devem continuar crescentes, mesmo com a questão ambiental como pano de fundo disse o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman.

PROTOCOLOS DE SAÚDE

José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior Brasileira (AEB), acredita que qualquer impacto que o setor venha a sofrer por causa dos casos de Covid-19 em unidades será pontual: Pode ter algum impacto pequeno no volume ou no preço. Mas a demanda está alta, as cotações internacionais de suínos, por exemplo, seguem elevadas. Ricardo Santin, da ABPA, diz que o setor adotou todas as normas exigidas pelos ministérios da Saúde, Economia e Agricultura, além das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), com protocolo validado pelo Hospital AlbertEinstein. Entre as medidas adotadas pelas empresas estão a tomada de temperatura na entrada dos ônibus de transporte e das plantas, distanciamento mínimo de um metro entre funcionários nas linhas de produção e, onde isso não for possível, separação por anteparo acrílico. Funcionários também passaram a usar máscaras e protetores faciais. A Associação Brasileira da Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que representa os produtores de carne bovina, não quis se pronunciar. JBS, BRF e Minerva Foods informaram que adotaram todos os protocolos de saúde e segurança, além de planos de contingência em todas as suas unidades.

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