Assimetrias no balanço de risco abrem porta para juro menor

Assimetrias no balanço de risco abrem porta para juro menor

Hoje vamos ter duas decisões importantes na política monetária global. Os bancos americano (Fed, Federal Reserve) e do Brasil anunciam as taxas de juros de ambos países.

Nas duas reuniões, as atenções estarão focadas no comunicado que irá indicar como estão os balanços de risco para se iniciar um ciclo de queda de juros. O Fed e o Banco Central do Brasil reúnem-se, em média, a cada 45 dias para avaliar todo o cenário prospectivo, decidir e sinalizar os próximos passos de suas políticas monetárias.

O mundo sempre está atento às decisões do banco central americano, mais conhecido como `banco central global`. Isso porque qualquer mudança nos EUA é capaz de afetar a liquidez nos outros mercados. E isso se reflete em tendência de fortalecimento ou enfraquecimento do dólar.

Por isso, não é coincidência o fato de que as reuniões do Copom acontecem sempre bem próximas âs do BC dos EUA. Desde a última reunião do Fed, no fim de abril deste ano, a economia global continuou se deteriorando com o impacto negativo da guerra comercial entre EUA e China. Houve piora significativa de diversos índices além, claro, do comércio mundial nas Américas, Ásia e Europa.

Os números americanos de investimento, bem como a atividade manufatureira continuaram desacelerando. E mesmo com a economia em pleno emprego, a inflação segue surpreendendo com números mais fracos do que o esperado. Como resultado deste movimento, as expectativas de inflação mais baixas nos EUA ocasionaram um forte fechamento no mercado de juro futuro. Floje, espera-se três quedas de juros de 0,25 ponto, a partir da reunião de j ulho.

Os principais integrantes da diretoria do Fed já declararam muita preocupação comas conseqüências da guerra comercial para a economia americana. Clarida, o vice do Fed, afirmou em seus discursos que a instituição financeira poderia adotar uma estratégia de corte de juro preventivo, como aconteceu na década de 90.

Já o presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou que os recentes acontecimentos estão trazendo incertezas ao cenário prospectivo e que o banco central estará atento tanto no monitoramento desses efeitos, quanto na garantia da expansão da economia americana. O objetivo é buscar a meta simétrica de 2% na inflação.

No Brasil, o cenário mudou bastante desde a última reunião do Copom. As revisões para um crescimento mais fraco em 2019 e 2020 continuaram. No que diz respeito à inflação, mesmo com pesquisa da Focus apontando leve queda entre as reuniões, as expectativas extraídas pelos títulos públicos apresentaram um forte declínio nos horizontes de curto e longo prazo.

Para 2019, a inflação implícita neste tipo de investimento passou de 4,07% para 3,54%. Em 2020, saiu de 4,50% para 3,85%. Um dos pontos importantes da reunião do Copom é a avaliação do balanço de riscos se permanece simétrico ou se já podemos dizer que ficou assimétrico no contexto de inflação mais baixa, dentro do horizonte relevante do BC do Brasil. Na última reunião, a instituição financeira entendeu o balanço como simétrico para a inflação.

A avaliação foi feita levando-se em consideração a atividade fraca, a expectativa de aprovação das reformas em maio e o cenário internacional. Começando pelo cenário internacional, tivemos uma grande mudança desde a última reunião. A desaceleração da economia global continua e o Fed já dá sinais de que os juros podem cair até o fim do ano. Em relação à atividade, os números continuam surpreendendo negativamente.

A inflação tem apresentado uma forte queda com a reversão da alta de alimentos e da gasolina. Os núcleos continuam em um patamar confortável e as expectativas para este índice estão em queda. Já a perspectiva de aprovação das reformas melhorou, um vez que há chances de termos uma reforma da Previdência de R$ 900 bilhões aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados ainda antes do recesso. De acordo com as últimas entrevistas do presidente do BC, Roberto Campos, o cenário internacional ficou benigno.

E este dado pode ser reforçado com a decisão do Fed logo mais. A preocupação em relação às condições financeiras com a queda do juro no Brasil estão menores. Em maio, participantes do mercado afirmavam que uma eventual queda da taxa Selic levaria o câmbio a R$ 4,30 devido à redução do diferencial de juros com os EUA. Floje, o mercado tem discutido um ciclo de corte de juro entre 100 pontos-basee 150pontos-base e o câmbio esta oscilando entre R$ 3,85 e R$ 3,90.

O Banco Central brasileiro poderia até anunciar a queda da taxa de juros hoje, mas Campos tem enfatizado que revisões na atividade precisam estar acompanhadas também por revisões na inflação. Neste sentido, segundo ele, a queda dos juros ganha mais credibilidade. Meu palpite para hoje é de um balanço de risco assimétrico para o Fed e para o Copom. Ambos deixarão a porta aberta para cortes nas próximas reuniões. O Fed ainda pocle surpreender, encerrando a redução do balanço de liquidez já nesta reunião.

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