Argentino quer cortejar comunidade judaica e EUA; comunicação com o governo Bolsonaro ainda é escassa

Argentino quer cortejar comunidade judaica e EUA; comunicação com o governo Bolsonaro ainda é escassa

Sem ter se reunido ainda com o presidente Jair Bolsonaro, o argentino Alberto Fernández iniciará hoje sua primeira viagem internacional depois da posse na Presidência, em 10 dezembro, e o destino escolhido foi Israel, onde amanhã o Fórum Mundial do Holocausto lembrará os 75 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, pelo Exército soviético.

O governo ficará durante quatro dias sob o comando da vice-presidente Cristina Kirchner, e Fernández tentará melhorar as relações do país com um dos principais aliados dos Estados Unidos. O último presidente argentino que visitou Israel foi Carlos Menem (1989-1999).

Durante os governos Kirchner, de 2003 a 2015, a relação com a comunidade judaica ficou estremecida pela decisão de Cristina de selar um acordo com o Irã, que nunca saiu do papel. Ela foi acusada em janeiro de 2015 pelo promotor Alberto Nisman de ter firmado o documento para ajudar a acobertar ex-funcionários iranianos acusados de envolvimento no atentado à Associação Mutual Israelense Argentina (Amia), que deixou 85 mortos em 1994.

Poucos dias após denunciar a então chefe de Estado, Nisman foi encontrado morto no seu apartamento. Investigações da época indicaram que o promotor teria sido assassinado, mas não houve conclusão definitiva. O governo Fernández já cogitou reabrir o caso.

APOIO NO FMI   Uma fonte diplomática argentina afirmou que `a viagem tem o exclusivo interesse de lembrar e repudiar o Holocausto`, mas em Buenos Aires especula-se que Fernández quer recompor a relação do peronismo com a comunidade judaica e também colher gestos de apoio a um acordo do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e seus credores.

Os EUA, cujo voto é essencial no FMI, criticaram a decisão de Fernández de conceder refúgio político ao ex-presidente boliviano Evo Morales. Um eventual entendimento da Argentina com o FMI e credores é considerado provável por analistas locais. A questão são os prazos. A Argentina está sem acesso ao crédito internacional, com necessidades de financiamento que superam US$ 20 bilhões em 2020, e precisa selar um acordo rápido para avançar com medidas que permitam a reativação da economia.

Com o governo Bolsonaro, a comunicação ainda é escassa. Depois de cancelar a primeira viagem de um alto funcionário de Fernández ao Brasil para acompanhar o presidente em outra viagem, ao Vaticano, no final deste mês, o chanceler Felipe Solá reprogramou sua visita a Brasília para 12 de fevereiro. O secretário de Assuntos Estratégicos do governo argentino, Gustavo Béliz, também irá e terá uma conversa com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno.

O governo Fernández vem tentando construir um vínculo positivo com o Brasil, apesar de ter enfrentado fortes resistências desde a campanha, quando Bolsonaro atacou o então candidato peronista e questionou o respaldo do argentino ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até agora, o contato mais importante entre a Casa Rosada e o Planalto foi uma conversa telefônica entre Solá e o chanceler Ernesto Araújo, em dezembro.

A conversa durou uma hora e meia e, segundo fontes argentinas, foi `cordial, mas por momentos tensa`. A iniciativa partiu de Solá a pedido de Fernández, após ler tuítes de Bolsonaro criticando medidas adotadas por seu governo, entre elas o aumento de impostos sobre as exportações de grãos. Na conversa, houve entendimento sobre a necessidade de rever com cuidado a Tarifa Externa Comum do Mercosul, mas divergências sobre o acordo entre o bloco e a União Européia, cuja revisão é defendida pelo presidente argentino. As discordâncias sobre Bolívia e Venezuela persistiram. Fernández endureceu a posição em relação a Nicolás Maduro, mas se mantém mais moderado do que países como Brasil, Chile e Colômbia.

Segundo outra fonte, o ministro da Economia argentino, Martin Guzmán, tentou agendar uma conversa com o ministro Paulo Guedes, mas ainda não foi bem sucedido. Cristina na Presidência. Fernández ficará quatro dias fora, e sua vice assumirá interinamente. Depois de Israel, ele visitará o Papa Francisco no fim do mês

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