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Argentino envia emissário e tenta reunião com Bolsonaro

Argentino envia emissário e tenta reunião com Bolsonaro

Futuro embaixador falou com Mourão e elogiou passos econômicos do Brasil

Dois dias após assumir o governo, o novo presidente da Argentina, Alberto Fe mandez, enviou um emissário de alto nível a Brasília para tentar eo sturar um encontro eom o presidente Jair Bolsonaro e iniciar uma aproximação entre os dois governos.

O futuro embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, manteve uma agenda de encontros nesta quinta (12), em Brasília, com autoridades do governo Bolsonaro.

O principal deles foi com o vice-presidente Hamilton Mourão. O argentino também conversoucom o ministro Osmar Terra (Cidadania).

Na reunião com Mourão, Scioli destacou que diferenças ideológicas não podem separar Brasil e Argentina e que os dois países precisam atuai- juntos em diversas instâncias internacionais.

Também destacou que qualquer amargura que tenha ficado entre os dois mandatários d evido á troca de provocações nos últimos meses será resolvi da quando se encontrarem e conversarem olho no olho.

E, numa frase que foi vista como forte gesto de aproximação, o argentino afirmou que o governo Bolsonaro deu passos importantes para superar a crise econômica brasileira. Segundo auxiliares ouvidos pela Folha, quando Scioli mencionou o desejo depromover reunião entre Femández e Bolsonaro, Mourão disse que talvez haja uma janela de oportunidade em janeiro.

O vice-presidente contou a Scioli que no próximo mês está agendada a participação de Bolsonaro na inauguração das novas instalações da estação Comandante Ferraz, na Antártida, parcialmente destruída por incêndio em 2012.

Mourão disse que, caso esse roteiro se confirme, Bolsonaro terá que decolar de Punta Arenas (Chile) ou de Ushuaia (Argentina). Se a escala for na cidade argentina, umencon ti o poderia ser promovido.

Acampanha presidencial argentina e o período de tran sição de governo foram marcados por trocas de farpas e provocações entre Bolsonaro e Fernández. O brasileiro decidiu de última hora enviar um representante Mourão para a posse do argentino.

Na viagem a Bueno s Aires, o vice-presidente teve uma primeira conversa com Scioli. Nos últimos meses, Bolsose naro não escondeu que prefero ria ter visto o agora ex-presidente Maurício Macri reeleito e disse por mais de uma vez que a volta do peronismo ao poder na Argentina poderia

se gerar urna `nova Venezuela` no continente sul-americano.

Femández,por sua vez, defendeu durante a campanha a liberdade do ex-presiden te Lula e, no dia de sua vitória eleitoral, posou para fotos fazendo um`L` comasmãos, símbolo do petista.

Após a campanha, porém, ambososgovernosderam sinais de que pretendem trabalhar para melhorar a relação para um nível que ao menos não prejudique a extensa relação comercial entre os países.

Bolsonaro ilissenestaq uarta (11), por exemplo, estar à disposição caso Fernández queira vir ao Brasil.

Dip lomatasbrasileiros c onsideram que Scioli, ex-governador de Buenos Aires e exvice-presidente, é peça-chave na reaproximação. Não só pela longa trajetória política marcada pelo pragmatismo ele iniciou a carreira aliado ao liberal Carlos Menem, masporque recusou convite para ser embaixador em Roma, considerado figurativo.

Para integrantes do governo brasileiro, o fato de Scioli ter pedido a Fernández para liderar a missão diplomática em Brasília mostra que está empenhado na normalização das relações bilaterais.

Scioli não foi o único representante diplomático que Mourão encontrou nesta quinta. Depois do argenti no, o vice-presidente se reuniu com o encarregado de negócios da embaixada de Cuba, Rolando Gómez González.

Praticamente sem interloeução desde o início da atual administração, Brasil e Cuba se afastaram ainda mais depois que o governo Bolso na ro votou, na ONU, a favor do embargo dos EUA contra a ilha um posicionamento que rompeu tradição de quase três décadas do Itamaraty.

´As relações oficiais estão numa postura, vamos dizer, ideologizada. Nós respeitamos sempre as diferenças com os demais governos dos 187 países que votaram contra o bloqueio. Nem todos têm afinidade com Cuba, como vocês podem imaginar`, disse Gómez ao final da reunião com Mourão.

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