Argentina reage com cautela a novo acordo com o FMI

Argentina reage com cautela a novo acordo com o FMI

A Argentina reagiu com cautela ao novo pacote com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que eleva o valor do programa de ajuda ao pais para US$ 57,1 bilhões para ajudar o pais a estabilizar sua economia.

A Argentina reagiu com cautela ao novo pacote com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que eleva o valor do programa de ajuda ao pais para US$ 57,1 bilhões para ajudar o pais a estabilizar sua economia. O câmbio voltou a subir. O governo falou em crescimento para o próximo ano, mas economistas contestam. Ontem o dólar voltou a subir e bateu em 40,53 pesos. No fim do dia, a cotação da moeda americana ficou em 39,70 pesos alta de 1,19 peso. A alta ocorreu um dia após o anúncio de mudanças na política monetária do Banco Central da Argentina, que a partir de 1- de outubro vai trabalhar com uma banda de flutuação do dólar, de 34 a 44 pesos, sem intervenção. 

O movimento de alta, afirma Martin Tetaz, da Universidade de La Plata, era esperado, com a perspectiva de não intervenção da autoridade monetária, que começa a valer na segunda-feira. `Como o mercado argentino é muito pequeno, no curto prazo o dólar pode se mover simplesmente porque não há oferta pelo BC`, diz. Anteontem, depois de anunciar o acordo com o FMI, o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, disse que com o aumento do pacote e o adiantamento dos desembolsos, a Argentina crescerá 5,2% no fim de 2019 e pode começar a ter crescimento já no primeiro trimestre. 

O anúncio diverge da previsão dada pelo próprio governo na semana passada, quando enviou ao Congresso projeto de Orçamento para 2019 que previa contração de 0,5% do PIB para o ano que vem. Para Pablo Neira, da Radar Consultora, o ministro Dujovne está otimista demais. `Será muito difícil crescer nos primeiros trimestres. Até o segundo trimestre do ano que vem teremos recessão.` 

Segundo Neira, a economia se contrairá 1% em 2019, se a Argentina tiver boa colheira e nenhum evento negativo que leve à uma recessão maior. Além disso, argumenta, ainda há dúvidas no país sobre como funcionarão os novos instrumentos de política monetária do BC. `A nova política de controle da base monetária, para que não cresça até junho de 2019, significa mais recessão`, afirma, ao chamar as novas diretrizes de `experimento`. `É preciso ver se a combinação da nova política monetária do BC combinada com o ajuste fiscal do governo levarão a inflação menor e a maior queda da atividade.` 

Alberto Ramos, economista do banco Goldman Sachs, diz que a meta de crescimento zero da base monetária vai reduzir a liquidez, e que uma contração monetária em termos reais impactará negativamente a atividade econômica. `Uma recessão mais profunda com inflação ainda alta representa um grande risco para as perspectivas de reeleição da Macri, em outubro do ano que vem`, afirma Nicholas Watson, da consultoria Teneo Intelligence. 

Ele argumenta que, apesar de Dujovne insistir na possibilidade de crescimento no próximo ano, indicadores socioeconômicos, como de desemprego e pobreza (leia mais abaixo), apontam para deterioração do cenário argentino.

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