Argentina quer renegociar dívida até março

Argentina quer renegociar dívida até março

Com um prazo considerado apertado e pouco realista por analistas, o governo argentino apresentará a oferta de reestruturação da dívida pública no início de março e pretende concluir as negociações até o final do mesmo mês, segundo cronograma divulgado ontem pelo Ministério de Economia.

 `É muito ambicioso e de difícil cumprimento, partindo de uma suposição de que tudo irá bem do início ao fim`, disse o economista Miguel Kiguel, diretor da consultoria Econviews. Ele diz que em negociações de reestruturação de dívida sempre surgem obstáculos.

 Para Kiguel, a equipe econômica sabe que é difícil cumprir esse prazo, mas de alguma forma tinha de mostrar que colocou em andamento um cronograma. `Se conseguir concluir em algum momento do segundo trimestre, estará bem`, afirmou, completando que é comum essa estratégia dos governos de gerar uma expectativa positiva de que o processo vai funcionar.

Gabriel Zelpo, economista chefe da consultoria Seido, chamou o cronograma de boa notícia. `O importante é que há um roteiro, já que havia dúvida sobre isso`, disse. Ele também acha que os prazos não são realistas. `Com sorte, chegarão a uma negociação com êxito no segundo semestre deste ano.

` 0 cronograma prevê na próxima semana uma reunião do ministro da Economia, Martin Guzmán, com a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, em Roma, e a chegada a Buenos Aires no dia 12 da missão técnica do Fundo para renegociar o acordo de US$ 57 bilhões, dos quais US$ 46 bilhões já foram liberados para o país.

 Na segunda quinzena de fevereiro, Guzmán terá 10 dias de reuniões com credores e vai selecionar já os agentes financeiros para a reestruturação. Logo depois do lançamento da oferta, haverá apresentações informativas, os `road shows`, durante os 15 dias seguintes.

Como parte da bateria de medidas econômicas para combater a inflação, o governo argentino também decidiu manter o congelamento dos preços dos combustíveis até 29 de fevereiro. A atualização desses valores foi postergada pela segunda vez, depoisde 10reajustesem2019,que acumularam alta de 41,8%, ante a variação anual do índice de Preços ao Consumidor (IPC) 53,8%.

Além disso, o Banco Central baixou a taxa de referência de 50% a 48% para reativar a economia. Esta taxa é usada para o retorno das Letras de Liquidez (Leliq).

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