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Argentina precisa olhar além da taxa de câmbio, diz Sica

Argentina precisa olhar além da taxa de câmbio, diz Sica

Velho conhecido no mundo empresarial da Argentina, o economista Dante Sica passou para o outro lado do balcão há menos de um mês. Deixou a direção da consultoria Abeceb, em Buenos Aires, para assumir o Ministério de Produção, logo após a crise cambial que ainda surte efeito na economia.

Velho conhecido no mundo empresarial da Argentina, o economista Dante Sica passou para o outro lado do balcão há menos de um mês. Deixou a direção da consultoria Abeceb, em Buenos Aires, para assumir o Ministério de Produção, logo após a crise cambial que ainda surte efeito na economia. À frente da pasta que eqüivale ao nosso Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Midc), Sica tem como principal desafio aumentar as exportações para reduzir o déficit comercial de US$ 1,28 bilhão e deslanchar o setor de mineração. Mas, para isso, tem obstáculos internos, como a taxa de juros básica de 40% e demanda interna reprimida. Recentemente, conta, o governo acordou com bancos locais taxa de juros de 29% para compra de bens de capital. Agora, espera em troca um voto de confiança.

`O importante é que os empresários não olhem só para o valor do dólar para determinar a competitividade, mas também o nosso trabalho no Ministério`, diz. Leia os principais trechos: 

Valor: Apesar das medidas do Banco Central e da equipe econômica de Maurício Macri, o dólar continua subindo. O nível atual do dólar [27,18pesos], está bom para exportadores, mas epara a indústria? 
Dante Sica: O importante é que os empresários não olhem só para o valor do dólar para determinar a competitividade, mas também o nosso trabalho no Ministério.

Estamos trabalhando em temas estruturais, como desburocratização, que permitam aumentar ganhos, independentemente da taxa de câmbio, para que as empresas possam exportar e importar em função da redução dos custos, do custo argentino e da melhora de produtividade. Valor: Mas há um nível de equilíbrio para o câmbio? Sica: Como ministro de Produção eu não posso prever um valor do dólar, em um mercado de câmbio flutuante, que convém. 

O que temos de trabalhar é melhorar todas as questões de competitividade para que, independentemente da taxa de câmbio, a produção argentina seja competitiva a nível internacional. Valor: Como o corte de gastos do governo afeta a sua pasta? Sica: Em princípio, o processo de consolidação dos gastos e redução do déficit fiscal não afeta os programas que tem o Ministério de Produção. Afetará os subsídios em energia e o que são gastos correntes do setor público. 

Valor: Qual a estratégia para estimular exportações? Quais setores são prioritário no curto prazo? 
Sica: Estamos trabalhando em setores como infraestrutura, para melhorar os custos de logística e melhorar a conectividade. Há um programa para redução dos custos no qual estamos avançando com distintos setores. Estamos implementando a ´ventanilla única de comércio exterior´ [mecanismo de facilitação de comércio], que simplifica os trâmites do setor exportador.

Hoje o setor que mais puxa as exportações é o agroinclustrial e também o automotivo. Esses, e a partir do ano que vem os energético e de mineração, serão quem vão puxar as exportações. 

Valor: Até que ponto a guerra comercial EUA-China afeta a Argentina?Há alguma oportunidade? 
Sica: Isso gera oportunidade de negócios não apenas na China, mas em muitos países que estão envolvidos. Essa é uma ótima oportunidade para a Argentina, não apenas por questões políticas dos EUA, mas também pelo o que temos avançado. A Argentina conseguiu abertura do mercado chinês para as carnes argentinas. As exportações de carne que no governo anterior representavam 10% do total de exportações de carne da Argentina hoje representam quase 50%. Valor: Tarifas no setor automotivo podem causar ruptura na cadeia global, pois empresas pensam os EUA como destino final. Esse desarranjo pode ser aproveitado para a Argentina atrair investimento ? Sica As exportações argentinas estão muito focadas do México para baixo, onde somos competitivos a nível regional, em especial com o produto das pick ups. Isso poderia, de alguma maneira, atrair investimento para a Argentina, mas não vemos isso agora como um tema prioritário.

Valor: O Banco Central manteve nesta semana a taxa de juros a 40%. Como o produtor vai investir com esse juro e uma inflação de 27%?
Sica: A taxa de juros é temporária e está sujeita à estabilização cambial. Conforme há estabilidade cambial e o mercado vai se acomodando, a taxa de juros vai caindo. Também assinamos acordo com diferentes bancos regionais para conceder crédito, com subsídios de taxas, para que as pequenas e médias empresas tenham financiamento de capital de trabalho, que é o que gera mais estresse financeiro. A idéia é emprestar a taxa de 29%. 

Valor: A Argentina tem déficit comercial recorde, o que leva a déficit em conta corrente, hoje em quase 5% do PIB. Como reduzir isso? 
Sica: Uma vez que se estabilize o mercado e a economia tome um rumo, teremos menos déficit em conta corrente, que deve chegar a 3,5% do PIB no fim do ano. Valor: Há alguns dias o senhor esteve no Brasil, para conversar sobre o Rota 2030.0governo argentino está preocupado com os subsídios às montadoras? Sica: A preocupação era sobre se isso poderia impactar o fluxo de comércio e investimentos. Falei com o ministro Marcos Jorge [Mdic] e, em agosto, teremos reunião bilateral sobre isso. se

Valor: Com o protecionismo de vai Trump, a tendência é maior integração dos países da América Latina?
Sica: Depois de 15 anos de as pausa em negociações econômicas, Brasil e Argentina estão avançando em convergência normativa, regulatória e de acesso ao mercado. Creio, que, independentemente da política econômica dos EUA, Argentina e Brasil já decidiram se abrir e se integrar muito mais à região.

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