Argentina pode perder ares de 'queridinha' com economia fraca

Argentina pode perder ares de 'queridinha' com economia fraca

Com a inflação ainda alta e a economia crescendo menos que o esperado, as esperanças em relação ao governo do presidente argentino, Mauricio Macri, estão começando a se esvair.

Com a inflação ainda alta e a economia crescendo menos que o esperado, as esperanças em relação ao governo do presidente argentino, Mauricio Macri, estão começando a se esvair.

O desempenho dos títulos da dívida do país em moeda estrangeira está entre os piores dos países emergentes nas últimas três semanas, a moeda local (o peso) continua se desvalorizando e toda instabilidade levou uma das maiores empresas locais de energia a desistir de tentar levantar dinheiro no mercado.

Mas talvez o momento mais constrangedor tenha ocorrido em junho quando o índice de Bolsa MSCI (uma referência para investidores estrangeiros) decidiu que o país não subiu para a categoria "emergente" —onde está o Brasil, por exemplo.

Para o índice, não há garantias de que as reformas adotadas por Macri são "irreversíveis" e, por isso, o país deve continuar como um mercado de "fronteira", ao lado de nações como Maurício, Sri Lanka e Cazaquistão.

Esse cenário é bem distante daquele previsto quando Macri assumiu a Presidência, no fim de 2015, e se tornou um queridinho dos investidores em países emergentes.

O governante tem tido dificuldades para cumprir promessas como turbinar o crescimento econômico, conter a inflação e cortar as burocracias que atrapalhavam o setor privado.

EFEITO CRISTINA

Para piorar, há uma nova ameaça no horizonte: a ex-presidente Cristina Kirchner está concorrendo a uma vaga no Senado, aumentando as preocupações entre os investidores de que ela possa voltar ao mundo político.

"Nós chegamos a um ponto em que o governo precisa mostrar alguns resultados concretos", diz Michael Roche, estrategista em renda fixa da Seaport Global Holdings, de Nova York.
"Certamente seria desapontador se uma parte expressiva da população quisesse a volta de um governo de forte intervenção na economia ou coisa do tipo."

"Existe o temor no mercado de que se Cristina for melhor que o esperado na eleição, a aliança de Macri talvez tenha que recuar em algumas das reformas que já foram muito bem implementadas", afirma Sean Newman, da Invesco Advisers, especializado em mercados emergentes.

Apesar dos recentes temores, a Argentina continua demonstrando bons resultados para os investidores. A Bolsa local subiu 24% em dólar neste ano, por exemplo.
Porém, alguns analistas temem que esse bom momento tenha ficado para trás.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino