Argentina já admite que candidato americano será eleito presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento

Argentina já admite que candidato americano será eleito presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento

09/09 - 11:31 - Sem consenso entre países da região, Mauricio Claver-Carone deve ser confirmado como o primeiro dirigente de fora da América Latina a comandar a instituição

Depois de ter tentado junto com México, Chile e Costa Rica adiar a eleição do futuro presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o governo da Argentina admitiu que o cenário mais provável é que no próximo fim de semana seja eleito o americano Mauricio Claver-Carone, funcionário do governo de Donald Trump. O grupo não teria conseguido reunir apoio suficiente na região e na Europa para impedir que, pela primeira vez em seus 60 anos de história, o BID não tenha um presidente latino-americano.

— O candidato americano parece ter o quórum e os números para vencer — admitiu o ministro das Relações Exteriores argentino, Felipe Solá, em entrevista a uma rádio local.

Segundo o ministro argentino, “houve uma decisão por parte da Europa que nunca chegou”.

— Teríamos preferido que nossos vizinhos nos consultassem e que se conversasse sobre o assunto — lamentou o chanceler do governo Alberto Fernández, em referência às posições de Brasil, Uruguai e Paraguai, que, alguns mais enfaticamente do que outros, apoiaram a candidatura de Claver-Carone.

Para adiar a eleição, é necessária a abstenção do equivalente a 25% do capital votante, percentual que nunca foi alcançado de maneira definitiva. Brasil e Argentina têm o maior percentual da região, superados apenas pelos Estados Unidos. Se a cruzada inicial de argentinos (11,354%), mexicanos (7,299%) e chilenos (3,19%) tivesse contado com o respaldo em massa dos europeus, o grupo teria contado com mais 10,9% do capital votante e somado um total de 32,759%. Mas, como revelou Solá, a resposta europeia não chegou.

Ação de Trump

Nas últimas semanas, o próprio Trump teria se envolvido nas conversas para enfraquecer a ação inicial de Argentina, México, Chile e Costa Rica. Segundo versões que circulam em Santiago, o presidente americano teria telefonado pessoalmente para seu colega Sebastián Piñera.

O mexicano Andrés Manuel López Obrador, que em julho passado visitou Washington em sua primeira viagem ao exterior, teria cedido em sua posição por fortes pressões internas. Segundo fontes argentinas próximas às negociações, “finalmente, o México foi fiel a sua tradição de dependência dos EUA, e nós seremos fiéis à nossa de nos contrapor a este tipo de tentativa de dominação regional”.

Segundo a fonte argentina, "se o Mercosul tivesse atuado unido, teríamos impedido este atropelo a uma instituição essencial em nosso continente". A Argentina, disse ela, "vai se manter em sua posição, talvez com um candidato próprio", que seria Gustavo Beliz, ex-funcionário do BID e atual secretário de Assuntos Estratégicos do governo de Alberto Fernández.

Existe, ainda, a possibilidade de que a vice-presidência executiva do BID seja concedida a um brasileiro, como admitiu o próprio Claver-Carone em entrevistas recentes. Circulou também a versão de que nesse posto seria nomeado um candidato de consenso entre Argentina, Chile, México e Costa Rica. Tudo isso ainda estaria sendo discutido.

Em junho passado, o governo Jair Bolsonaro trabalhava com a ideia de lançar a candidatura do banqueiro e empresários Rodrigo Xavier, próximo do ministro Paulo Guedes. Mas a candidatura de Claver-Carone atropelou a iniciativa brasileira e rapidamente obteve o respaldo público do governo Bolsonaro. Juntos, EUA, Brasil e Colômbia têm os votos necessários para eleger o novo presidente de um banco que administra, anualmente, cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos para infraestrutura no continente.

Os opositores do candidato americano afirmam que sua eleição transformará o banco num instrumento da disputa comercial entre EUA e China. A posição do grupo liderado pela Argentina teria sido enfraquecida pela melhora de Trump nas pesquisas e o temor, em consequência, de vários países de abrirem uma frente de conflito com um presidente que ainda tem chances de ser reeleito por mais quatro anos.

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