Argentina: Falta de plano macroeconômico aumenta risco de default, diz Roubini

Argentina: Falta de plano macroeconômico aumenta risco de default, diz Roubini

18:44 - Para o economista professor da Universidade de NY, falta credibilidade aos esboços apresentados pelo governo de Alberto Fernández para reestruturar a dívida

A falta de um plano macroeconômico integral aumenta o risco de que a Argentina caia em default total, segundo opinião do economista turco Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e presidente da consultoria RGE Monitor.

Em uma análise sobre a Argentina divulgada nesta quarta-feira (19), Roubini afirmou que “o risco de default total está crescendo” porque “o país não tem um plano econômico coerente para convencer os credores de aceitar uma oferta de swap com uma significativa redução de sua dívida em termos de valor presente líquido”. Para Roubini, falta credibilidade ao discurso e aos esboços apresentados, até então, pelo governo de Alberto Fernández para reestruturar a dívida e equilibrar a economia argentina.

O documento foi elaborado em conjunto com o economista italiano Alessandro Magnoli Bocchi, com passagens pelo BIRD, BID e Kuwait China Investiment.

A análise foi divulgada no último dia de trabalho de uma missão do FMI que está no país para renegociar os termos do pagamento do crédito de aproximadamente US$ 44 bilhões, já repassados à Argentina, do pacote aprovado de US$ 57 bilhões.

Os técnicos do FMI chegaram a Buenos Aires há uma semana. O ministro de Economia, Martín Guzmán, já declarou, nas últimas horas, que há cada vez mais “entendimento mútuo” entre as partes.

Um acordo entre o FMI e a Argentina facilitaria as negociações com os credores de aproximadamente US$ 100 bilhões de títulos que precisam ser reestruturados, já que o mesmo seria acompanhado por um programa macroeconômico com pautas claras, como antecipou a diretora-gerente do organismo, Kristalina Georgieva.

No ano passado, antes do segundo turno das eleições presidenciais, em outubro, Roubini também havia feito outras advertências sobre a economia argentina. “Se Fernández derrota o presidente Mauricio Macri e afunda o programa de US$ 57 bilhões acertado com o FMI, a Argentina pode sofrer uma repetição da crise monetária de 2011”, disse em referência ao default de mais de US$ 100 bilhões.

Naquela ocasião, Roubini alertou ainda que “uma crise na Argentina também pode ter consequências globais”, já que poderia contagiar outros países emergentes.

“Pode levar a um processo mais geral de fuga de capitais dos mercados emergentes, que poderia provocar uma crise em países muito endividados como Turquia, Venezuela, Paquistão e Líbano, e complicar a situação de países como a Índia, África do Sul, China, Brasil, México e Equador”, afirmou Roubini.

Nessa mesma análise, o economista conhecido como “Doutor Doom (Desastre)” por ter previsto a crise global de 2007/2009, fez a advertência de que “um colapso argentino limitaria a capacidade do FMI para ajudar outras economias com dificuldades”. Para concluir, sugeriu que “uma solução honrosa é o melhor para todos, mas a possibilidade de uma colisão e queda financeira não pode ser descartada”.

 

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