Argentina espera extradição do Brasil de repressor da ditadura

Argentina espera extradição do Brasil de repressor da ditadura

13/05 - 12:55 - Um repressor da última ditadura argentina (1976-1983), acusado das mortes do escritor e jornalista Rodolfo Walsh e da jovem sueca Dagmar Hagelin, está em condições de ser extraditado do Brasil, onde foi preso na sexta-feira - informou o Ministério das Relações Exteriores argentino.

"O Ministério das Relações Exteriores do Brasil notificou nossa embaixada em Brasília que considera apto para extradição à Argentina Gonzalo Sánchez (69 anos), um fugitivo nas investigações judiciais dos crimes cometidos no âmbito da Escola de Mecânica da Armada (ESMA)", diz o comunicado oficial.

Sánchez, apelidado de Chispa, é um ex-policial da Marinha que foi preso a pedido da Argentina em 8 de maio no Rio de Janeiro. De acordo com a imprensa local, ele tinha atividades empresariais na cidade.

Um pedido anterior de prisão e extradição em 2017 não foi adiante.

Segundo a Justiça argentina, o detido integrou os comandos repressivos da ESMA (hoje Museu da Memória), onde desapareceram cerca de 5.000 presos políticos do regime, incluindo Walsh e Hagelin, sequestrados em 1977.

Os corpos de Walsh e Hagelin nunca foram encontrados. Os comandantes da ESMA ordenavam os chamados "voos da morte", nos quais os detidos-desaparecidos eram drogados e jogados vivos no mar, ou no Rio da Prata.

Mais de mil chefes, oficiais e policiais do regime foram condenados por crimes contra a humanidade desde 2003.

As organizações de direitos humanos estimam em 30.000 o número de desaparecidos na ditadura. Dezenas de milhares de pessoas marcharam para o exílio, ou foram perseguidas por sua oposição ao regime.

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