Argentina eleva taxa sobre produtos importados

Argentina eleva taxa sobre produtos importados

A Argentina elevou ontem um imposto sobre importações, que atingirá produtos de todos os países. A chamada `taxa de estatística` para cobrir despesas de burocracia aduaneira passará hoje de 0,5% para 2,5%. O governo diz que isso visa ampliar a arrecadação.

Estão sujeitos à nova tributação produtos dos países do Mercosul. Para os países de fora, a nova taxa se soma à tarifa externa comum (TEC) do bloco, cuja média é 14%.

Franco Roland, da consultoria Abeceb, de Buenos Aires, diz que os países do Mercosul até então estavam isentos da taxa de estatística. Mas agora também estão sujeitos à nova tarifa, que vale de hoje até 31 de dezembro deste ano.

Ainda que a alíquota seja pequena, o aumento ocorre no momento em que as exportações do Brasil para a Argentina já estão em queda. No primeiro trimestre deste ano, essas exportacoes caíram 46,69% para US$ 2,34 bilhões, segundo o governo brasileiro. A corrente de comércio (exportações e importações) entre os dois países teve queda anual de 27,1% nos quatro primeiros meses deste ano, de acordo com a Abeceb.

Em nota, a Câmara de Importadores argentina criticou a medida e disse que `seu impacto é semelhante a um aumento generalizado nas tarifas sobre o valor` dos produtos. Além disso, diz, a mudança agrava problemas de falta de competitividade e inflação da economia argentina ao encarecer os bens e insumos importados.

O aumento da alíquota foi feito por decreto e publicado ontem no `Boletim Oficial`. `O governo nacional se propôs a equilibrar as contas públicas e eliminar o déficit primário a partir do ano de 2019 (...). Neste contexto, é necessário aumentar transitoriamente a alíquota`, diz o documento. Santiago Bulat, da consultoria Invecq, diz que o impacto não será muito grande, já que as importações da Argentina vêm caindo como um todo. Em março, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), as importações tiveram queda anual de 33,7%.

Segundo Fausto Spotorno, da consultoria Orlando J. Ferreres & Associados, com a nova alíquota o governo poderia arrecadar até US$ 300 milhões anuais. `Daqui até dezembro seriam US$ 200 milhões. Não é uma quantia tão grande que justifique a mudança.`

Para Spotorno, a principal razão por trás do aumento do imposto de importação é a eleição presidencial de outubro. O governo do presidente Mauricio Macri, afirma, quer estabilizar a demanda de dólares por parte dos importadores, a fim de evitar maiores desvalorizações cambiais. `Se não fosse isso, não estariam tão preocupados.` (Colaborou Marli Olmos) Leia mais sobre Argentina na pág. BI

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino