Argentina é o país da AL com mais tempo de recessão em 70 anos

Argentina é o país da AL com mais tempo de recessão em 70 anos

A Argentina é o país da América Latina que viveu mais tempo em recessão nos últimos 70 anos, mais que a Venezuela e igualando países que passaram por guerras, como o Iraque

A Argentina é o país da América Latina que viveu mais tempo em recessão. Nos últimos 70 anos, a economia argentina teve mais anos de contração que a Venezuela e se iguala a países que passaram por guerras, como Iraque e Líbia.

Ranking da consultoria Statista, elaborado com base em dados do da entidade americana The Conference Board, mostra que desde 1951 a Argentina teve 24 anos de contração econômica, mesmo número que o Iraque e atrás somente da Líbia, com 27 anos de retração. A Venezuela, em recessão há oito anos, terá completado 21 anos de contração neste ano. O ranking foi feito de acordo com países cujos dados estão disponíveis, segundo a consultoria.

O país sul-americano não passou por guerras como os países árabes no topo da lista, mas nas últimas décadas viveu em meio a alta volatilidade e choques causados por problemas de institucionalidade. Isso causou mudança de regras do jogo e perda de confiança, que levaram a um ciclo repetitivo de crescimento curto e contração. Segundo a Statista, embora a Argentina seja mais desenvolvida do que outros da lista, o país passou por ciclos de gastos excessivos, inflação, endividamento, e problemas de política fiscal.

“O grande problema da Argentina, especialmente a partir de meados dos anos 1970, é que não consegue manter muitos anos de crescimento sustentado”, afirma Andrés Borenstein, da consultoria Econviews, em Buenos Aires. Ele argumenta que o país tem alta volatilidade institucional e gasta muito em tempos de bonança (como durante o superciclo das commodities), como se as receitas mais altas fossem permanentes.

“Além disso, há um foco excessivo em consumo, resultado de governos populistas, que lançam mão de restrições às exportações e mantêm a taxa de câmbio muito apreciada”, diz. “A alta e persistente inflação ajuda a gerar distorções importantes, que afastam investimentos.” Apesar de a Argentina não ter passado por guerras, ao longo das últimas décadas esteve sujeita a choques causados por rupturas institucionais, afirma Lívio Ribeiro, pesquisador associado do Ibre/ FGV e sócio da consultoria BRCG.

“São recorrentes eventos de ruptura, o que leva as pessoas a não acreditarem nas regras, já que essas mudam a cada dois ou três mandatos presidenciais”, diz Ribeiro. “Quando não se tem institucionalidade definida, é difícil criar ambiente que propicie crescimento sustentado em vez de recorrentes ciclos de contração e expansão. A economia argentina não consegue se manter em uma trajetória sustentada, mesmo que seja de baixo crescimento. É voo de galinha sempre.”

Ribeiro argumenta que autoridades de governos à esquerda e a à direita não têm claro que país querem e para qual direção a Argentina deve crescer.

“Qual é o grande plano econômico do ministro da Economia argentino, Martín Guzmán? O plano era atrasar o pagamento da dívida externa com credores privados, o que conseguiu. Mas o que sobra além disso?”, questiona. Ele afirma que o Brasil viveu falta de direcionamento semelhante até o Plano Real e voltou a ter isso a partir da metade do primeiro mandato da expresidente Dilma Rousseff.

Após três anos de recessão, a Argentina deverá voltar a crescer neste ano, mas a perspectiva é de instabilidade. Além da incerteza por conta da pandemia da covid-19, grave seca atinge o rio Paraná, por onde são escoados 80% das exportações agrícolas do país em direção ao oceano Atlântico.

“Prevemos pequena retomada da atividade e, com a proximidade das eleições, devemos ver mais investimento público. Mas a disputa eleitoral também traz incerteza, o que não é favorável para uma retomada sustentada”, diz Nicolás Alonso, da consultoria da Orlando J. Ferreres & Asociados. As eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, também devem influir nesse cenário.

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