Argentina e credores se aproximam de acordo após nova proposta

Argentina e credores se aproximam de acordo após nova proposta

15:57 - Após calote de US$ 500 milhões no pagamento de juros, aumenta chance de país negociar dívida de US$ 65 bilhões

BUENOS AIRES E LONDRES - A Argentina e seus credores chegaram mais perto de um entendimento depois que uma segunda rodada de propostas foi feita entre os principais detentores de títulos e o governo, reforçando as esperanças de que um possível acordo será alcançado para renovar cerca de US$ 65 bilhões em dívida.

Buenos Aires apresentou uma nova proposta na quinta-feira, com vencimentos mais curtos e um período de carência menor de dois anos nos pagamentos de cupons, depois de recusar antecipadamente uma nova contraproposta de dois grupos principais de credores.

O ministro da Economia do país disse que a nova proposta dos detentores de títulos foi um passo na "direção certa", mas ainda ficou aquém do que o país precisa para se livrar da crise da dívida em meio a uma longa recessão.

"Esperamos continuar trabalhando com os credores que compõem esse grupo, que atualmente são os que têm uma posição mais distante das restrições que nosso país enfrenta", acrescentou Guzmán.

Segundo o Morgan Stanley disse num comunicado, "ainda é necessário mais trabalho, mas os dois lados estão cada vez mais próximos". O banco calculou o valor presente líquido (VPL) da nova oferta em cerca de 41,5 centavos por dólar, ante 33 centavos por dólar na oferta original.

"Um VPL de 41,5 é uma melhoria decente e fica muito mais próximo da área 45-50, onde achamos que um acordo pode ser alcançado", disse o banco de investimentos, acrescentando que um acordo pode ser obtido no terceiro trimestre do ano com "mais boa vontade de ambos os lados".

A Argentina está travada em negociações para reformular dívida externa que se tornou insustentável. O país não conseguiu pagar cerca de 500 milhões de dólares em cupons de bônus na semana passada, marcando seu nono default soberano.

O governo adiou o prazo para um acordo até 2 de junho, embora pessoas próximas às negociações digam que a decisão pode ser protelada novamente.

Siobhan Morden, da Amherst Pierpont, afirmou em nota nesta sexta-feira que os prazos estendidos e a oferta aprimorada sugerem um compromisso.

"Ainda não há um avanço oficial entre a Argentina e os detentores de títulos; no entanto, há um otimismo latente de que um compromisso será alcançado sob a influência moderada do presidente (Alberto) Fernández", escreveu Morden.

Com uma forte estagflação que se arrasta há dois anos, a Argentina vem reafirmando que não está em condições de pagar sua dívida sem um desconto significativo.

Menos restrições cambiais

O banco central da Argentina pretende relaxar as restrições cambiais a partir de 30 de junho, caso o governo consiga fechar um acordo com credores que seja bem recebido pelos mercados, disse o presidente da instituição, Miguel Pesce.

“Espero que possamos liberar mais o mercado quando essa negociação for resolvida”, disse Pesce em entrevista por telefone na noite de quinta-feira. “Temos que ver como o mercado responde ao estímulo se a negociação for bem-sucedida”, afirmou.

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Pesce e autoridades do banco central implementaram novos controles na quinta-feira à noite, restringindo o acesso de empresas ao mercado de câmbio para pagar obrigações no exterior em dólares ou outras moedas. As empresas que liquidam títulos do governo denominados em pesos para obter moeda estrangeira devem aguardar 90 dias antes e 90 dias após qualquer transação.

As novas restrições fazem parte de um mês de controles das taxas de câmbio não oficiais do país.

A Argentina enfrenta uma crise cambial. Apesar de controles rígidos, suspensão de pagamentos de dívidas e medidas e isolamento contra o Covid-19, os tão necessários dólares ainda saem do país. As reservas internacionais do governo caíram para o menor nível em quatro anos na semana passada, ficando abaixo do volume quando o Fundo Monetário Internacional iniciou um programa de empréstimos de US$ 56 bilhões em 2018.

“O que você vê hoje são pressões especulativas e oportunistas”, disse Pesce, acrescentando que a taxa de câmbio atual é competitiva. “Nenhum líder empresarial reclama da taxa de câmbio.”

Importadores reclamam

No entanto, importadores argentinos, que frequentemente precisam pagar por embarques em dólares, estão reclamando. A maioria dos preços de importação está atrelada à taxa de câmbio não oficial, que nas últimas semanas, dobrou em relação à taxa oficial que empresas devem usar para converter receitas obtidas no exterior em pesos.

A taxa não oficial disparou quando o banco central começou a financiar alguns gastos fiscais, despertando preocupações com o avanço da inflação, já que o país está em default.

A chamada base monetária da Argentina aumentou 24% desde o início da quarentena em 20 de março, embora flutue dia a dia. Esse crescimento em momento de forte retração econômica e fraca demanda por pesos preocupou o mercado.

Segundo pesquisa, os argentinos esperam inflação de 47% nos próximos 12 meses, o nível mais alto de expectativas desde pelo menos 2006. Essas projeções levam argentinos a buscar dólares.

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