Argentina começa a exportar petróleo de xisto de Vaca Muerta

Argentina começa a exportar petróleo de xisto de Vaca Muerta

Ao longo da fronteira ocidental da Patagônia argentina, numa estepe árida encostada nos Andes, fica uma formação de xisto conhecida como Vaca Muerta. Desde que engenheiros confirmaram o que um geólogo americano suspeitava um século atrás que a Vaca Muerta contém quantidades massivas de petróleo e gáscomeçou a corrida para repetir o boom americano do fracking perfuração por fraturamento hidráulico.

Primeiro vieram a YPF, a gigante local do petróleo, e a Chevron. Depois, empresas como a Total e a Royal Dutch Shell. Elas investiram cerca de US$ 13 bilhões em exploração nos últimos oito anos. Mas nenhuma teve muito o que mostrar com isso.

Obstáculos se sucediam e a produção era marginal. Até agora. Nas últimas semanas, duas empresas exportaram dois pequenos carregamentos da formação, um de petróleo leve e outro de gás natural liqüefeito (GNL), prenunciando o que executivos do setor dizem que será um fluxo constante de embarques até o fim do ano.

Ainda é muito cedo para cantar vitória vários desafios de logística e econômicos continuam a existir. Mas é o primeiro sinal de que o dinheiro e tempo investidos podem realmente dar resultados, e devolver à Argentina o papel de exportador de energia que costumava ter há mais de uma década.

`Haverá a mudança de um sistema de importação de petróleo e produtos derivados para outro de exportação`, disse Sean Rooney, presidente da Shell na Argentina. `E isso vai crescer com o passar do tempo. Serão algumas centenas de milhares de barris por dia.` A Shell anunciou em dezembro a ampliação das operações e, neste mês, a ExxonMobil assumiu um compromisso semelhante.

A previsão agora é de que os embarques de petróleo leve da Argentina cheguem a 70 mil barris por dia no ano que vem. Ainda há um longo caminho para se igualar ou mesmo chegar próximoà produção de xisto da Bacia Permiana, entre o Texas e o Novo México, nos EUA, que elevou os embarques de petróleo da costa do Golfo do México para 2,5 milhões de barris por dia. Obras de infraestrutura, incluindo estradas e dutos de coleta, não acompanham o avanço nas perfurações.

Os produtores também querem que o governo argentino finalmente elimine as amarras à exportação. Isso significa eliminar o direito de primeira recusa das refinarias domésticas e cumprir a promessa de abandonar o imposto de exportação até o fim de 2020.

`Se os operadores do setor e o governo adotarem isto e derem apoio a políticas de energia para facilitar as exportações, teremos uma grande oportunidade pela frente`, disse Miguel Galuccio, que liderou as primeiras incursões da YPF na Vaca Muerta e agora dirige a Vista Oil & Gas, que fez o recente carregamento de petróleo leve. Os produtores também precisam levar a política em conta.

A maioria gostaria de ver o pró-mercado presidente Maurício Macri se reeleger em outubro, principalmente porque ele enfrenta uma acirrada disputa com chapa de oposição que tem o peronista Alberto Fernández como candidato à presidente e a ex-presidente Cristina Kirchner cujos controles de capital assustaram os investidores estrangeiroscomo vice.

Além do carregamento da Vista Oil & Gas, a YPF fez recentemente seu primeiro embarque de gás natural liqüefeito de uma balsa que mantém ancorada na costa do Atlântico. No próximo trimestre, ela planeja mais embarques da balsa, que pode liqüefazer até oito carregamentos por ano.

Também há espaço parta ampliar as vendas por gasoduto para os vizinhos Chile, Brasil e Uruguai. Essas exportações de gás são soluções de curto prazo. Com a forte redução do consumo na Argentina nos meses mais quentes, os produtores domésticos precisam ter acesso a mercados muito maiores para compensar o investimento no gás de xisto.

É por isso que eles já estão ponderando a construção de um terminal de GNL que pode custar US$ 5 bilhões, seja na costa do Chile, no Pacífico, ou em um porto argentino no Atlântico. `A chave para aproveitar nosso potencial é o terminal de GNL`, disse Marcos Bulgheroni, executivochefe da Pan American Energy, este mês durante conferência sobre xisto na cidade de Neuquén. Em teoria, segundo Bulgheroni, Vaca Muerta precisa dos dois pontos costeiros de escoamento.

Se os planos de exportação avançarem rapidamente, a produção de GNL vai disparar e em 2024 a Argentina pode roubar dos EUA participação no mercado da Ásia, principalmente porque os navios petroleiros que partem de suas costas podem evitar o congestionado Canal do Panamá, segundo relatório da empresa de pesquisa sobre energia Wood Mackenzie.

Mas se a Argentina não conseguir conquistar uma fatia do mercado mundial de GNL nos próximos anos, é provável que os produtores revisem seus planos de perfuração. O país ainda é um importador desse combustível. Quando a questão é o fornecimento de energia, o fator tempo é realmente essencial.

Na conferência em Neuquén, Macri advertiu uma audiência de executivos do petróleo de que a tendência global de abandono do uso de combustíveis fósseis ameaça a valorização do xisto da Argentina. `O pessoal do petróleo está despreocupado considerando que ainda há tempo`, disse ele. `Mas você nunca sabe aonde a inovação pode nos levar. Portanto, precisamos aproveitar ao máximo o momento.`

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