Argentina abre caminho para Mercosul fragmentado, diz fonte

Argentina abre caminho para Mercosul fragmentado, diz fonte

27/04 - 20:10 - Segundo a fonte, o movimento argentino tem como consequência uma diminuição da pressão que os outros países-sócios vêm fazendo por um rebaixamento da Tarifa Externa Comum (TEC)

O precedente aberto pela Argentina, ao abandonar as negociações em curso de acordos de livrecomércio no âmbito do Mercosul liberando Brasil, Uruguai e Paraguai para prosseguirem, vai
permitir a atuação de times de países negociadores adaptados a cada novo acordo, o que uma fonte diretamente ligada à negociações do bloco definiu, ao Valor, como um "Mercosul de
diferentes gradientes".

Mais do que isso, afirma o negociador, o movimento argentino tem como consequência uma diminuição da pressão que os outros países-sócios vêm fazendo por um rebaixamento da Tarifa
Externa Comum (TEC), imposto aplicado a produtos importados de fora do bloco. Isso porque essa redução de tarifas deve acontecer por meio de seguidos acordos internacionais, que devem
se somar àqueles já fechados com União Europeia e EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), que tendem a significar parcela expressiva das interações do bloco com o mundo no longo prazo.

A fonte cita, especificamente, negociações planejadas de acordos com Estados Unidos e Japão, que devem suceder tratativas menores já em curso com Canadá, Coreia do Sul, Cingapura e
Líbano. Nenhuma deverá ter a Argentina na mesa, facilitando as reduções tarifárias.

"No momento em que [o Mercosul] negocia com Canadá, Coreia do Sul e Cingapura, já temos grandes acordos [como UE e EFTA], e vamos entrar em negociação com os Estados Unidos e
com o Japão, e a Argentina não quer participar desses processos, não faz sentido ficar discutindo com eles [Argentina] como baixar a TEC. Tarifas vão ser baixadas naturalmente via acordos",
disse a fonte, ao Valor.

Na medida em que a Casa Rosada não participa de negociações, não teria como se levantar contra as alíquotas definidas nas tratativas. "Isso abre a possibilidade para que se reformate
progressivamente o Mercosul como uma Área de Livre Comércio", diz o negociador, em relação a uma possível regressão do status do Mercosul como União Aduaneira, mudança a qual o governo
brasileiro é simpático.

A fonte rechaça, ainda, a tese de invasão de bens industriais nos países do Mercosul na saída da crise causada pela pandemia de covid-19. Afirma que esse risco é "inexistente" diminuição flagrante de importações da China neste momento; e, finalmente, ao fato de novos acordos só impactarem a dinâmica das importações no “muito longo prazo”.

A tese da invasão de produtos importados fora evocada tanto por membros do governo argentino como por setores da indústria no Brasil.

Sobre a recente decisão da Casa Rosada, a fonte acrescenta que, em reunião na última sexta-feira (24), o governo argentino dissera que o afastamento das negociações estava ligada ao combate da pandemia e ao esforço de administração da dívida com o Fundo Monetário Internacional e credores privados. Entretanto, publicações do chanceler argentino Felipe Solá no Twitter teriam escancarado, para os envolvidos, o viés político da decisão. Solá publicou, ainda no sábado (25), que "tratados de livre-comércio não trazem um só benefício para o trabalho na Argentina".

"No cálculo do governo de [Alberto] Fernández, ele não quer desagradar setores que são alicerces de seu apoio político [Indústria] com novas negociações e, ao garantir o que já foi fechado, protege capital reputacional. Sabe que o contrário arriscaria outros tabuleiros, como o da reestruturação da dívida", avalia o negociador.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino