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Após invasão, aliados de Guaidó deixam Embaixada da Venezuela em Brasília

Após invasão, aliados de Guaidó deixam Embaixada da Venezuela em Brasília

Impasse. Ocupação, que durou pouco mais de 12 horas, começou de madrugada e só terminou após o presidente BoLsonaro condenar a ação; horas antes, Eduardo BoLsonaro manifestara apoio ao ato, causando desconforto entre diplomatas e atraindo críticas da oposição

Após mais de 12 horas, um grupo ligado ao presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, deixou ontem a embaixada venezuelana em Brasília. A desocupação foi negociada pelo Itamaraty, após pressão de parlamentares brasileiros de oposição e de o presidente Jair Bolso naro condenar a ação.

A invasão começou ainda na madrugada dc ontem, às 4 horas, quando cerca dc 20 ativistas entraram nas instalações da representação diplomática c tentaram expulsar membros do corpo diplomático, que resistiram à invasão. Segundo comunicado da embaixadora dc Guaidó, Maria Teresa Belandria quenão csrá no Brasil -, alguns funcionários da embaixada reconheceram Guaidó como presidente c decidiram abrir as portas voluntariamente.

Diplomatas chavistas ficaram do lado dc fora. A invasão foi denunciada por parlamentares brasileiros do PT, do PSOL e do PCdoB. `Um atentado à soberania e à democracia`, escreveu noTwittera deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ). Durou pouco para que grupos bolsonaristas e de esquerda fossem ate o local c começassem a se hostilizar.

A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada c chegou ao local às 7I130, mas não pôde entrar na embaixada ou retirar os invasores, por se tratar de uma representação diplomática. O impasse estava formado. Os policiais restringiram o acesso c a saída de pessoas no portão principal c prenderam quatro pessoas que se envolveram cm brigas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, declarou apoio à ocupação. `Nunca entendia essa situação. Sc o Brasil rcconhccc Guaidó como presidente da Venezuela, por que a embaixadoraMaria Teresa Belandria, indicada por ele, não estava fisicamente na embaixada? Ao que parece agora está sendo feito o certo, o justo`, disse o filho dc Jair Bolsonaro, no Twitter.

As declarações de Eduardo Bolsonaro causaram desconforto entre os diplomatas. Elec presidente da Comissão dc Relações Exteriores da Câmara dos Deputados - c chegou a ser cogitado para ocupar a Embaixada do Brasil nos EUA. Durante a tarde, havia o risco de uma possível retaliação do regime venezuelano aos funcionários dc representações brasileiras em Caracas.

O chanceler chavista, Jorge Arrcaza, exigiu respeito à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, que garante a inviolabilidade das representações diplomática sc determina que a obrigação dc garantir a segurança das instalações é do país onde elas estão localizadas.

A tensão só começou a diminuir quando a Presidência emitiu um comunicado negando que Bolsonaro soubesse da `invasão da embaixada por partidários de Guaidó` - embora, pouco depois, o termo `partidários dc Guaidó` tenha sido suprimido. No início da tarde, o presidente criticou a invasão. Em suas contas nas redes sociais, Bolsonaro escreveu que repudiava a interferência dc atores externos, sem deixar claro quem seriam eles.

`Estamos tomando as medidas necessárias para resguardar a ordem pública e evitar atos dc violência, cm conformidade com a Convenção dc Viena sobre Relações Diplomáticas`, afirmou o presidente.

O impasse terminou às 17h30, quando os aliados dc Guaidó deixaram o local pelos fundos, saindo por um portão atrás do prédio administrativo c entrando em um ônibus. Eles foram escoltados pela Polícia Militar. O Itamaratv garantiu aos apoiadores dc Guaidó que eles poderiam sair em segurança e sem punições.

No local, o coordenador dc Privilégios e Imunidades do Itamaratv, Maurício Correia, negociou a saída com o ministro conselheiro acreditado pelo Brasil, Tomas Silva, representante de Guaidó. A manifestação de Bolsonaro repudiando a invasão, segundo as pessoas envolvidas na negociação, foi determinante para a resolução do impasse.

`O governo brasileiro nos ordenou que saíssemos da nossa embaixada pela porta dos fundos como criminosos`, disse à France Prcssc Josc Grcgorio, major dc Exército, que fugiu para o Brasil este ano, após deixar o prédio. `A saída foi fruto de negociações`, afirmou Belandria. Os chavistas comemoraram. `Revertemos o ataque gcnocida dos inimigos do processo revolucionário`, festejou F reddy Efrain Mcrcgote, encarregado dc negócios do chavismo /COM AGÊNCIAS.

 

PARA LEMBRAR

Polícia invadiu prédio nos EUA

Em janeiro, Nicolás Maduro rompeu relações diplomáticas com os EUA e ordenou a retirada dc seus diplomatas do país. Em abril, todos já haviam voltado, quando ccrca de 30 ativistas americanos do grupo Code Pink invadiram o prédio da embaixada venezuelana em Washington. O objetivo era impedir a entrada da equipe indicada por Juan Guaidó, reconhecido pelos EUA e outros países como presidente interino. O impasse durou semanas. A empresa dc eletricidade da capital americana chegou a cortar o fornecimento dc luz para tentar forçar uma saída dos ativistas. Alguns venezuelanos moradores dc Washington impediram que manifestantes chavistas entrassem com comida. Em maio, a polícia entrou no prédio e retirou os últimos ativistas, entregando a embaixada para o representante de Guaidó em Washington, Carlos Vecchio. O Code Pink denunciou a ação da polícia como uma violação da lei internacional.

 

 

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