Após derrota na Câmara, governo Bolsonaro quer construir alternativa ao voto impresso com o Judiciário

Após derrota na Câmara, governo Bolsonaro quer construir alternativa ao voto impresso com o Judiciário

19:59 - Integrantes do governo avaliam que resultado do plenário reforça discurso do presidente que questiona urnas eletrônicas

Após a derrota na Câmara da proposta do voto impresso e seguidos ataques de Jair Bolsonaro ao sistema de votação, o governo agora quer buscar diálogo com o Judiciário para construir uma alternativa para o que chamam de auditoria das urnas eletrônicas. O principal argumento para acenar com uma trégua é que o resultado no plenário indica que o debate sobre o sistema de votação não está pacificado. O Planalto não conseguiu os 308 votos necessários para a aprovação da mudança, mas somou 229 votos favoráveis contra 218 parlamentares que rejeitaram a proposta.

O sistema de votação tem sido alvo frequente de contestação do presidente, que, sem provas, coloca em xeque a confiabilidade dos resultados das eleições. Bolsonaro também tem feito ataques pessoais ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, o que agravou a crise institucional com o Judiciário. Enquanto ministros do Executivo se movimentam para reverter a indisposição, magistrados são céticos na construção de um acordo.

Na próxima semana, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, tem um encontro marcado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A audiência, como mostrou O GLOBO, foi pedida por Nogueira na semana passada. Na ocasião, a crise entre Executivo e Judiciário já estava instalada, mas ainda não tinha atingido seu ápice, quando Fux cancelou a reunião entre os Poderes em resposta aos ataques de Bolsonaro.

Ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, disse não ter dúvidas de que será possível buscar uma contagem pública dos votos, defendido pelo presidente.

— Sinceramente, eu acho que o Parlamento exerceu o seu direito. Isso é do jogo. Não tenho nenhuma dúvida de que nós vamos construir alternativas juntos, inclusive ao próprio TSE em um diálogo para buscar condição de ter apuração pública dos votos. Acho que isso é super importante para dar tranquilidade a todos e evitaria muitos problemas no presente e no futuro. Eu trato com naturalidade o que aconteceu e, por ora, vamos buscar outro caminho, de entendimento — disse Onyx ao GLOBO.

As declarações de Bolsonaro, no entanto, seguem sendo um empecilho. Na manhã desta quarta-feira, menos de 12 horas do voto impresso ser derrotado na Câmara, o presidente Jair Bolsonaro voltou a levantar suspeitas sobre a “lisura das eleições.”

— Estou feliz com o Parlamento brasileiro. Não tivemos 308 votos, mas (foi) 229 a 218 (votos), se não me engano. 10, 11 (votos) de diferença, pouca coisa. Mas é uma demonstração que esse pessoal votou de forma consciente e deu um grande recado ao Brasil. Eles não acreditam na lisura das eleições — disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

Interlocutores da Corte ouvidos pelo GLOBO afirmam que a ordem no TSE foi de evitar comemorações ou declarações, e que o momento é o de buscar mecanismos para aumentar ainda mais a transparência do sistema de votação — ou até resgatar a confiança de quem passou a duvidar das urnas eletrônicas.

Nos bastidores do TSE, já havia a ideia de que, uma vez encerrado o debate na Câmara e com os ânimos arrefecidos, o tribunal deverá, aos poucos, dar início a estudos para viabilizar novas medidas de transparência sobre segurança. Uma delas é o aumento do número de urnas que passará pelos testes de integridade, que são realizados no dia da votação oficial, por meio de amostragem, para demonstrar publicamente o funcionamento dos equipamentos.

Relator do texto e aliado de Bolsonaro, o deputado Filipe Barros (PSL-PR), que antes do início da votação, já admitia a derrota na Câmara, disse ter se surpreendido com o resultado, o que mostra que o assunto ganhou as ruas e não está encerrado. Ele, no entanto, disse que os testes de integridades do TSE não são suficientes.

— Esse assunto não tem como estar morto ou ter sido enterrado. Ouvi que estavam tentando construir um caminho do meio, uma espécie de aumentar a porcentagem das urnas, em que é feita a famosa votação paralela, o teste de integridade. Fico feliz caso o TSE tome esse decisão, mas todos os especialistas que ouvimos na comissão especial são categóricos em afirmar que a metodologia do teste é ineficaz. Acho que é bacana, mas na prática não resolve o problema — disse Filipe Barros.

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que o assunto está encerrado na casa, mas avalia que o resultado da votação reforçou o discurso de Bolsonaro.

— Deram ao presidente um discurso agregador. Ele vai ficar nessa onda e vai juntando gente atrás dele. A opinião estava favorável ao voto impresso, mas eles (disse apontado ao STF) acham que podem tudo lá. Na estratégia política, o discurso para o presidente é bom — disse Barros, ao deixar o Planalto nesta quarta-feira.

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