Após declaração polêmica de Bolsonaro, chanceler diz no Senado que China é prioridade para o Brasil

Após declaração polêmica de Bolsonaro, chanceler diz no Senado que China é prioridade para o Brasil

15:39 - Presidente insinuou que China pode ter criado coronavírus como parte de 'guerra química'; no dia seguinte, ele afirmou que não se referiu ao país asiático

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro insinuar que a China pode ter criado o novo coronavírus em laboratório como parte de uma "guerra química", o chanceler Carlos França afirmou, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que Pequim está entre as prioridades do governo brasileiro.

O ministro foi cobrado por alguns senadores, como a presidente da Comissão, Katia Abreu (Progressistas-TO), pelo possível impacto da polêmica declaração. Depois da repercussão negativa, Bolsonaro afirmou que não se referiu à China ao falar sobre o vírus.

Esse tipo de acusação contra Pequim costuma ser feito por críticos do regime chinês ligados ao governo, incluindo o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

— O setor do agronegócio ficou alarmado e muita gente me ligou hoje cedo. Devemos nos preocupar com isso, chanceler? Haverá consequências negativas? — perguntou Katia Abreu, lembrando que a China é o principal comprador de produtos agropecuários do Brasil.

França disse que não estava presente quando Bolsonaro fez a declaração sobre a doença, mas relatou ter conversado com o presidente no mesmo dia e ouvido do mandatário que suas relações com a China são positivas. Bolsonaro teria afirmado ao ministro que não se referia aos chineses quando falou sobre a Covid-19.

— A China, como não poderia deixar de ser, é outro país junto ao qual trabalhamos prioritariamente. Trata-se, é evidente, do maior parceiro comercial do Brasil e de um dos cinco maiores investidores estrangeiros no país — disse Carlos França, ao falar sobre as relações do Brasil com parceiros internacionais.

Ele lembrou que Pequim prometeu liberar o quanto antes as exportações de insumos para a fabricação de vacinas no Brasil. Segundo o chanceler, a China é um país decisivo nas cadeias de suprimento da indústria farmacêutica.

França lembrou ter pedido, no início de abril, ao ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi, que apoiasse a aquisição pelo Brasil de 30 milhões de doses da vacina da Sinopharm, para entrega ainda no segundo trimestre deste ano; e que ajudasse no fornecimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), para a produção de 60 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca.

— O ministro Wang comprometeu-se a fazer todo o possível para cooperar. Reservará e fornecerá ao Brasil, o quanto antes, quota maior de IFAs para a produção da vacina citada — disse.

Em 2020, o comércio com a China cresceu, apesar da pandemia, para uma cifra recorde de US$ 102,5 bilhões, O superávit, que é a diferença entre exportações e importações, também foi o maior da história, de US$ 33 bilhões.

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