Após Brexit, Reino Unido prioriza região Indo-Pacífico

Após Brexit, Reino Unido prioriza região Indo-Pacífico

17/03 Para os britânicos, a região Indo-Pacífico se tornará progressivamente o centro geopolítico do mundo e de peso econômico importante

Após ter saído da União Europeia (UE), o Reino Unido já acertou acordos comerciais com 66 países e negocia, agora, com os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. A rodada seguinte, sem data definida, será de conversas com Índia, países do Golfo e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

No entanto, o Reino Unido reconhece que vai depender cada vez mais da crescente prosperidade da região Indo-Pacífico, que considera que se tornará progressivamente o centro geopolítico do mundo e de peso econômico importante. Sem surpresa, esta será a prioridade dos britânicos. O primeiro-ministro Boris Johnson convidou para a cúpula do G7 em junho, em Cornwall, os dirigentes da Índia, Coreia do Sul e Austrália.

“O Reino Unido se desvia da Europa para se aproximar da Ásia do Sul’’, escreve o jornal "Le Monde", de Paris, sobre o relatório “Global Britain”, a primeira tentativa de narrativa sobre o lugar do Reino Unido no mundo após deixar a UE, divulgada na terça-feira (16).

No relatório, o governo de Johnson diz que os EUA continuarão como o mais importante aliado estratégico de Londres. A Rússia é apontada como a principal ameaça direta para o Reino Unido. A China é considerada um “competidor sistêmico”, com crescente poder na cena internacional que terá profundas implicações globalmente.

Para os britânicos, os motores do crescimento da economia mundial devem continuar a vir em particular da região Indo-Pacífico. O documento também nota que, com o rápido crescimento dos mercados emergentes, o tamanho da classe média global deve crescer de 3,8 bilhões de pessoas em 2018 para 5,3 bilhões em 2030, ampliando as oportunidades para empresas do Reino Unido.

Londres parece ter pressa para fazer com que 80% de seu comércio seja regulado por acordos comerciais, nos quais diz oferecer maior abertura de mercado que a União Europeia. Os britânicos avaliam que a covid-19 poderá acelerar a tendência por mais nacionalismo. O espaço para liberalização comercial poderá diminuir, em meio ao uso mais agressivo de políticas comerciais e econômicas na competição entre os países.

Brasil

A China é mencionada 27 vezes no relatório e o Brasil uma vez. O governo de Boris Johnson diz querer aprofundar os laços com o Brasil em comércio, inovação, clima, segurança e desenvolvimento. Nota que a América Latina detém 23% das florestas tropicais, 30% das reservas globais de água fresca e 25% de terras cultiváveis e quer ampliar os laços na região também no combate ao crime organizado e à corrupção.

Em discurso nesta quarta (17) no Aspen Security Conference, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, destacou uma das tendências “perigosas e dominantes”: a democracia está perdendo terreno.

“Nesta década, espera-se que o Produto Interno Bruto (PIB) combinado de regimes autocráticos supere o PIB combinado das democracias do mundo. Pense justo um segundo sobre o que isso significa”, disse ele.

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