Ao tentar baixar preço do arroz, Bolsonaro compra briga no Mercosul

Ao tentar baixar preço do arroz, Bolsonaro compra briga no Mercosul

0 Mercosul definitivamente não vive seu melhor momento.

Assim como a Argentina vem restringindo a entrada de importados, entre eles automóveis brasileiros, para priorizar a indústria nacional e a recuperação interna, o Brasil vai reduzir a tarifa de importação de arroz de países de fora do bloco, para tentar baixar o preço do produto no mercado interno. Justamente o arroz, atualmente importado quase exclusivamente de Argentina, Uruguai e Paraguai.

O governo Jair Bolsonaro abriu uma frente de conflito externa para enfrentar um problema interno. Em 2019, a Argentina exportou cerca de 120 mil toneladas de arroz ao mercado brasileiro, o que representa 80% de suas vendas externas. O Uruguai, em torno de 108 mil toneladas, e o Paraguai, 550 mil toneladas. Neste último caso, muitos produtores são brasileiros com terras no vizinho. Os três países são mais de 95% das importações de arroz no Brasil. Mas o alimento que vem de fora representa apenas 10% do consumido pelo brasileiro.

EUA e índia são exemplos de eventuais competidores, caso as tarifas de importação sejam reduzidas. Há preocupação e desconforto pela maneira como o governo brasileiro anunciou a decisão. Os argentinos gostariam de ter sido consultados. Os produtores uruguaios preparam carta a seu governo, pedindo que seja apresentada queixa ao Brasil, confirmou ao GLOBO Freddy Lago, presidente da Associação de Cultivadores de arroz do país. No Paraguai, o clima é similar. Os chanceleres estão se falando. Francisco Bustillo, do Uruguai, ligou para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo.

Todos asseguram que a iniciativa do governo Bolsonaro, que teve a resistência, em princípio, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (com excelente relacionamento com os países afetados), vai criar distorções no mercado regional de arroz. E afirmam que, mais uma vez, houve pressão dos EUA, como ocorreu com o etanol (foi implementada cota isenta de tarifa de importação). Como se diz popularmente, o tempo fechou entre os sócios do Mercosul.

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