Ao contrário de outros presidentes, Bolsonaro não fala sobre vacina contra a Covid-19 em cúpula do Mercosul

Ao contrário de outros presidentes, Bolsonaro não fala sobre vacina contra a Covid-19 em cúpula do Mercosul

17:53 - Chefes de Estado do Paraguai, Chile, Bolívia e Argentina defendem rápidas campanhas de imunização na região

RIO — Na segunda e última cúpula anual de chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta quarta-feira, alguns presidentes destacaram a importância da chegada de uma vacina contra a Covid-19, entre eles os da Argentina, Paraguai e Bolívia. Já o presidente Jair Bolsonaro evitou qualquer menção a campanhas de imunização ou vacinas que ajudem os países a enfrentar a pandemia.

Bolsonaro afirmou que este foi um ano "atípico", por uma "crise sanitária sem precendentes, em escala global". As menções à pandemia foram várias e, em todo momento, o presidente destacou que a visão predominante no bloco foi "salvar vidas e proteger nossas economias". Sobre vacina, não disse nada.

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, pediu que "as vacinas cheguem rápido para superar essa crise que o mundo vive".

— Que o vírus vá embora, mas que se mantenha a solidariedade — frisou o paraguaio.

No encerramento de sua declaração, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, sustentou que "o pior da pandemia está acontecendo":

— Vamos começar a vacinação na próxima semana.

Já o boliviano Luis Arce, empossado mês passado e cujo país é membro associado do bloco, declarou que "a pandemia do coronavírus marca um desafio sem precedentes para os nossos países".

— Convocamos os Estados integrantes (do Mercosul) e associados a trabalhar em uma agenda de consensos estendidos para acesso a medicamentos, vacinas, equipamentos médicos — disse Arce. — Agradecemos ao presidente da Argentina, que se solidariza com o povo boliviano com as vacinas.

O governo argentino já assinou um acordo para importar a vacina russa Sputnik. O presidente Fernández anunciou, recentemente, que seu governo pretende iniciar o processo de vacinação ainda este ano, começando pelos grupos de alto risco.

Depois de terem mantido um primero encontro bilateral virtual, semana passada, Bolsonaro e seu colega argentino fizeram um esforço para demonstrar uma relação mais amigável entre Brasília e Buenos Aires. Algumas alfinetadas, no entanto, foram trocadas.

Num pronunciamento em que enfatizou em diversos momentos a necessidade de promover uma economia sustentável, o chefe de Estado argentino assegurou que "a integração será ecológica, ou não será". Outros presidentes e chanceleres também enfatizaram a importância da promoção de uma economia sustentável. Citando o Papa Francisco, Fernández lembrou que "em nenhum lugar do mundo, nem na América Latina, ninguém se salva sozinho".

Já Bolsonaro expressou preocupação pelo "ressurgimento de entraves entre os Estados-membros", no que pareceu ser uma referência às barreiras protecionistas que a Argentina tem implementado contra importações brasileiras, afetando, sobretudo, a indústria automobilística.

— Devemos deixar de lado essas discordâncias que pertencem a um passado superado — declarou o presidente brasileiro.

Bolsonaro encerrou sua participação na cúpula desejando "êxito" a Fernández no período em que a Presidência temporária do bloco será comandada pela Argentina.

Nos últimos minutos de reunião, no momento em que o líder argentino assumiu oficialmente a Presidência rotativa do bloco, Bolsonaro não estava presente. O presidente abandonou a reunião antes do fim. Não ouviu, portanto, a última alfinetada do colega argentino:

— Partindo das declarações do presidente Bolsonaro sobre a importância da democracia no bloco, quero expressar nossa satisfação pela recuperação da democracia na Bolívia.

Após a renúncia do então presidente Evo Morales (2006-2019), em novembro do ano passado, sob ultimato militar, a Argentina concedeu-lhe asilo político. Já o Brasil de Bolsonaro foi um dos primeiros a reconhecerem a Presidência interina de Jeanine Áñez, considerada pelo novo governo de Luis Arce e aliados, como a Argentina, um governo ilegítimo.

Diferentemente de outras reuniões presidenciais, neste caso não houve grandes anúncios. Falou-se num entendimento sobre comércio eletrônico e na expectativa da assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) no primeiro semestre do ano que vem. Embora a UE tenha expressado resistências, sobretudo pela política ambiental do governo brasileiro, os governos do bloco continuam acreditando que o entendimento conseguirá, finalmente, sair do papel. O presidente argentino assegurou que buscará garantir um compromisso dos países do Mercosul sobre proteção do meio ambiente, uma clara indireta ao governo brasileiro, que minimiza a outra grande pedra no sapato do acordo: a política agrícola protecionista dos países europeus.O chanceler do Uruguai, Francisco Bustillos, que acaba de realizar uma viagem à Genebra, disse acreditar que o acordo será firmado.

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