Ao contrário de Bolsonaro, Mourão diz que processo eleitoral nos EUA foi 'correto'

Ao contrário de Bolsonaro, Mourão diz que processo eleitoral nos EUA foi 'correto'

12:43 - Vice-presidente ressaltou que contestações da campanha de Trump foram derrotadas na Justiça

BRASÍLIA — Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro, que insiste em que houve fraude na eleição presidencial dos Estados Unidos, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira considerar que o processo eleitoral foi "correto". Mourão ressaltou que todas as contestações apresentadas pela campanha do presidente Donald Trump foram rejeitadas pela Justiça.

— Todas as reclamações que foram apresentadas perante as diferente justiças estaduais, elas foram devidamente analisadas e a Justiça não deferiu essas contestações. Então, eu julgo que o processo eleitoral foi correto — disse Mourão, em entrevista à rádio Gaúcha.

Na semana passada, após a invasão do Congresso incitada por Trump para impedir a homologação pelos parlamentares da vitória de Joe Biden, Bolsonaro repetiu alegações falsas da campanha do republicano e disse que "ninguém pode negar" que houve irregularidades na disputa.

— O pessoal tem que analisar o que aconteceu nas eleições americanas agora. Basicamente, qual foi o problema, a causa dessa crise toda? Falta de confiança no voto. Lá o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatros vezes. Mortos votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.

A tese de que mortos votaram foi desmentida pelas autoridades eleitorais republicanas da Geórgia, quando Trump tentou convencê-las a adulterar o resultado da eleição no estado, em que Biden venceu.

Invasão do Capítólio foi 'questão interna'

Na entrevista desta segunda-feira, Mourão classificou como "questão interna" a invasão do Capitólio, sede do Legislativo local, feita na semana passada por apoiadores de Trump que não concordaram com o resultado da eleição.

O vice-presidente ressaltou, contudo, que os Estados Unidos têm um histórico de violência e citou como exemplos a Guerra Civil, ocorrida no século XIX, e os protestos contra o assassinato do ativista Martin Luther King Jr., que ele relatou ter testemunhado quando morava em Washington, em 1968.

— É uma questão interna dos Estados Unidos da América. Primeira coisa que tem que ser colocada. Óbvio que foi uma manifestação violenta, poderiam ter se manifestado contra o processo eleitoral americano de forma pacífica. Mas vamos lembrar que o fundamento do país, os Estados Unidos da América, é a milícia. Eles foram formados dessa forma — disse. — Nada me surpreendente quando acontecimentos dessa natureza acontecem nos Estados Unidos.

Mourão defendeu que os responsáveis pela invasão sejam punidos:

— Se houve depredação de patrimônio público, se houve morte de pessoas, pessoas feridas, os responsáveis por isso têm que ser levados à barra dos tribunais.

Ele criticou, contudo, o fato de Trump ter sido banido da maioria das redes sociais e disse que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, não foi "eleito para nada".

— Eu acho que é antidemocrático. Acho que o Mark Zuckerberg ele não é eleito para nada, ele não tem direito de cassar a palavra de ninguém — reclamou, acrescentando: — Na minha visão, só a Justiça poderia fazer isso.

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