Ao contrário da maioria dos vizinhos, Brasil só deve cumprimentar presidente eleito da Bolívia após resultado oficial

Ao contrário da maioria dos vizinhos, Brasil só deve cumprimentar presidente eleito da Bolívia após resultado oficial

18:22 - Relações com novo governo de Luis Arce terão de ser pautadas 'pelo pragmatismo, não por ideologia', afirmou uma fonte da área diplomática

BRASÍLIA — O Brasil ainda não felicitou o boliviano Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), pela vitória na eleição do domingo. Embora os adversários de Arce já tenham reconhecido sua vitória em primeiro turno e a maioria dos chefes de Estado sul-americanos o tenha parabenizado, a expectativa da área diplomática é que o presidente Jair Bolsonaro só cumprimente Arce pela vitória após o resultado oficial da contagem de votos, que pode demorar mais dois dias.

Essa posição reticente mostra que existem incertezas sobre como será o relacionamento de Bolsonaro com Arce, que já acusou o Brasil de apoiar a derrubada do ex-presidente Evo Morales, em novembro do ano passado. Uma fonte do governo disse que as atitudes do presidente eleito e sua equipe vão dar o tom de como serão as relações entre os dois países. Segundo ela, “se forem pragmáticos, acho que dá para conviver. Se forem ideológicos, vai complicar".

O governo Bolsonaro foi o primeiro a reconhecer a presidente interina Jeanine Áñez, logo depois da renúncia de Morales sob pressão militar. Não há nenhuma dúvida sobre a vitória de Arce: com mais de 70% dos votos apurados, ele tem mais de 52%, contra menos de 32% do principal rival, o ex-presidente Carlos Mesa.

O presidente argentino, Alberto Fernández, foi um dos primeiros líderes regionais a cumprimentar o ex-ministro da Economia de Morales, que se encontra asilado na Argentina. Em uma rede social, Fernández disse que a vitória do MAS é um ato de justiça "diante da agressão que sofreu o povo boliviano".

O chileno Sebastián Piñera e o peruano Martín Vizcarra, ambos de direita, felicitaram Arce, assim como o governo de Donald Trump. O venezuelano Nicolás Maduro se manifestou, dizendo que a vitória de Arce "derrotou com votos o golpe de Estado que deram em nosso irmão Evo". Essa proximidade de Maduro é uma preocupação do governo brasileiro, que não reconhece o governo de Caracas como legítimo.

A fonte do governo disse que, tal como Evo Morales, a expectativa é que Arce escolha o pragmatismo ao se relacionar com o Brasil. "Não somos nós que dependemos da Bolívia, e sim o contrário", disse ela. Morales veio à posse de Bolsonaro, em janeiro do ano passado.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, nesta terça-feira, Arce disse que iria renegociar contratos sobre o fornecimento de gás boliviano firmados com o Brasil pelo governo interino, que segundo ele não tinha legitimidade nem mandato para isso.

Uma fonte da área diplomática afirmou que não basta a vontade do presidente eleito para a renegociação, e que "um tango só é dançado com duas pessoas".

Desde a construção do gasoduto Bolívia-Brasil, nos anos 1990, o Brasil é o principal consumidor do gás boliviano, e o contrato é revisto periodicamente. De janeiro a setembro deste ano, o país importou mais de US$ 700 milhões em gás natural da Bolívia, o equivalente a 94% das importações da nação vizinha. Entre os principais produtos brasileiros, os bolivianos compraram siderúrgicos, alimentos, celulose e calçados e registraram um superávit na balança comercial de US$ 96 milhões.

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