Anvisa envia análise da Sputnik V para OMS e reafirma presença de vírus replicante

Anvisa envia análise da Sputnik V para OMS e reafirma presença de vírus replicante

29/04 Em pronunciamento, presidente da agência, Antonio Barra, refutou acusações de 'fake news' feitas pela fabricante

BRASÍLIA— Em pronunciamento na tarde desta quarta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reafirmou que foi identificada presença de vírus replicante na vacina v e afirmou que enviou sua análise à Organização Mundial de Saúde (OMS) e a outras autoridades regulatórias estrangeiras.

A agência apresentou reproduções de documentos enviados pelos fabricantes da Sputnik V e um trecho em vídeo de uma reunião entre os desenvolvedores da vacina e os técnicos da Anvisa. No vídeo, técnicos da Anvisa questionam sobre a presença de vírus replicante e os fabricantes admitem que Anvisa tinha razão e que "usaram uma linha de células caracterizada, o que pode ter seus defeitos".

Os especialistas russos afirmam que não modificaram o método, porque levaria muito tempo. Os comentários originais são em russo com a tradução de uma pessoa contratada.

A presença de vírus replicante foi um dos principais argumentos utilizados pelos diretores da Anvisa para negar, na última segunda-feira, pedido de importação feito por governadores para trazer ao país a vacina russa. Segundo a Anvisa, há vírus que replicam e que não se sabe quanto tempo ficam presentes no corpo humano, o que não é desejável e pode gerar risco à saúde dos pacientes, principalmente aqueles com sistema imune comprometido.

Após a negativa, fabricantes da Sputnik V vieram a público contestar a decisão e afirmar que a medida da Anvisa foi política. Nesta quarta-feira, os representantes da vacina afirmaram que vão processar a Anvisa por "espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente". O Instituto Gamaleya, que é responsável pela vacina, nega a informação da Anvisa de que há presença de vírus replicante na vacina.

— A Anvisa foi acusada de mentir, de atuar de maneira antiética e de produzir fake news sobre a identificação do adenovírus replicante— afirmou o diretor-presidente da instituição, Antonio Barra. — A diretoria colegiada da Anvisa atendendo estritamente ao interesse público sobre vacinas da Covid-19 esclarece que as informações sobre a presença de adenovírus replicantes constam dos documentos entregues à Anvisa pelo desenvolvedor da vacina Sputnik V.

Barra afirmou que a Anvisa está receptiva a novos dados que venham a ser enviados pelos desenvolvedores da Sputnik V e que o órgão regulatório analisa um retrato do momento, que pode ser modificado conforme avanço dos estudos.

— Não há nessa instituição nenhuma pessoa que tenha qualquer interesse ou júbilo em negar a importação de qualquer vacina, produto no escopo da sensibilidade de todos os seres humanos que hoje padecem com esta pandemia. Um produto tão necessário, que demande tanto senso de urgência a todos nós para que possamos contribuir para que o povo brasileiro atravesse da melhor maneira possível este difícil momento da pandemia.

O gerente de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, fez uma apresentação detalhada sobre os documentos apresentados pelos desenvolvedores da vacina Sputink V. Ele explicou que o imunizante tem dois tipos de adenovírus, mas que para apenas um deles foi apresentado uma justificativa de replicação.

— Os dados que nós avaliamos, que foram apresentados pelo Instituto Gamaleya, são dados que mostram que há presença do vírus replicante e há uma especificação, há uma aceitação do limite de produto de adenovírus replicante apenas eficaz no produto acabado. E essa especificação é definida trezentas vezes maior do que o maior limite regulatório — afirmou Gustavo Mendes.

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